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Economia

O Paraguai ainda é um porto seguro para investidores após crise do Ueno Bank?

Especialista avalia situação do país após escândalo que culminou na renúncia do presidente e a abertura de um processo de impeachment

Bandeira do Paraguai
Paraguai atraiu diversos investidores nos últimos tempos (Foto: Magnific)

Em dezembro de 2025, O Brasilianista deu a reportagem "Milionários migram para o Uruguai enquanto investidores direcionam capital ao Paraguai; entenda", destacando que o Paraguai vinha atraindo cada vez mais indústrias, startups e investidores produtivos. 

Em abril deste ano, o Paraguai voltou a ser assunto pelo mesmo tema, na matéria "Relocalização de empresas no Paraguai tem se mostrado vantajosa”, afirma especialista", enfatizando a menor burocracia e baixa carga tributária ofertada pelo país. 

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Nesta quinta-feira (05), o nosso vizinho ganhou os noticiários internacionais com a renúncia do então presidente Santiago Peña, após ser acusado de colaborar com a quebra do banco digital Ueno Bank, que prejudicou mais da metade da população do país. 

Caso isolado ou problema institucional?

O Paraguai vinha sendo apresentado como um destino atrativo para investimentos na América do Sul. A crise política e econômica (resultado do combo Ueno Bank e renúncia de Santiago Peña) colocam essa percepção em xeque? Para Igor de Lucena, pesquisador associado do FGV IBRE, não. 

"O Paraguai continua sendo um ponto importante de investimentos na América do Sul. A crise do Ueno e a renúncia de Santiago colocam em xeque de fato a credibilidade do país do ponto de vista da segurança financeira. Porém, isso não significa que as bases estruturais de baixos impostos, a estrutura para vender para o Mercosul ficam fragilizadas", justifica. 

O especialista entende que a crise envolveu uma questão política, mas quando consideramos a grande maioria dos bancos do país, eles seguem extremamente sólidos: "Se não tivesse essa ligação [do presidente e do presidente do Banco Central com o Ueno], a gente teria apenas uma quebra de banco, que, obviamente, é um escândalo, mas não geraria esse problema político". 

"Eu tenho a impressão que isso vai ser algo específico, um problema isolado, mas eu não acho que isso gera uma crise generalizada dentro da visão de investimentos para o Paraguai", conclui.

As consequências

Igor acredita que o risco-país do Paraguai pode subir um pouco, mas nada que seja prejudicial. "Se o setor financeiro paraguaio não mostrar debilidades e as pessoas de fato forem pagas, eu acho que a gente consegue ver o Paraguai saindo dessa situação", pontua. 

Para o pesquisador, a atitude do então presidente em renunciar ao cargo "mostra também um grau de civilidade dentro do país", que favorece a contenção do agravamento de uma crise. 

O foco, agora, é acompanhar indicadores financeiros como saída e entrada de dólares, níveis de investimento direto estrangeiro, até mesmo o resultado das contas públicas nos próximos meses para avaliar o impacto do escândalo. 

"Se a gente ver algo que não altere fundamentalmente as bases macroeconômicas do país, pode encarar isso como algo específico e centralizado", afirma. Contudo, caso contrário, podemos estar diante de uma crise para o país. 

Status do Paraguai

Diante do que foi colocado, Igor diz: "O Paraguai continua tendo uma posição de destaque porque tem impostos baixos, ainda serve como uma plataforma de exportação para empresas, inclusive brasileiras, e a competitividade do país ainda existe" e complementa: "Então, não acredito que a gente possa ver uma mudança muito grande no destino de investimentos, pelo menos neste momento".

Considerando o cenário atual do setor industrial brasileiro, com impostos e custos cada vez maiores, ele constata que o Paraguai segue sendo um polo importante de produção. 

O pesquisador finaliza: "O Paraguai continua sendo um país competitivo e a gente espera que continue sendo para o benefício do próprio Mercosul". 

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