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Brenno Grillo

Análise: Quase houve debate

Lula apostou na experiência; Flávio Bolsonaro se colocou como a mudança

Análise: Quase houve debate

Sobrou retórica e demagogia, mas faltou detalhamento de propostas no debate trabado entre Lula e Flávio Bolsonaro na TV Globo, na noite desta sexta-feira (23).

Lula apostou na experiência. Tentou mostrar ao eleitor o que fez pelo Brasil nos três mandatos em que esteve à frente da Presidência da República.

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Já Flávio Bolsonaro se colocou como a mudança jovial que pretende corrigir os problemas que o PT, por conta do tempo no poder, não consegue assimilar as causas para resolver os efeitos. 

O atual presidente da República afirmou que ajudou e vai continuar ajudando o brasileiro a fugir (não pagar) suas dívidas. Disse ainda que investiu em rodovias, ferrovias, transporte público, hospitais e educação.

O senador pelo PL do Rio de Janeiro disse que irá reduzir a dívida pública para devolver o poder de compra à população, vai combater a criminalidade e garantir proteção aos mais vulneráveis.

Lula, porém, não contou ao eleitorado quantos bilhões está colocando nas contas das futuras gerações para remediar problemas estraturais porque está atrás nas pesquisas.

Flávio, no entanto, não explicou o motivo de o Rio de Janeiro, estado onde foi eleito senador há 8 anos, ser um dos estados mais perigosos e violentos do país nem de onde cortará para reduzir a dívida que vem se acumulando independente de governo.

Civilidade

Pelo menos, os dois candidatos mantiveram o mínimo de respeito entre eles. Os três primeiros blocos do debate foram pautados por visões distintas (e superficiais) sobre o futuro do Brasil.

Mas o quarto bloco do debate, de temática livre, garantiu o troféu desfaçatez aos dois candidatos. O Caso Master e o Escândalo do INSS foram usados por ambos para acusar o adversário.

Os cortes dos trechos dos debates, que já estão sendo divulgados nas redes sociais pelas duas campanhas, fariam um alienígena achar que há dois Brasis. Em um, só Lula e aliados do petista são ligados a Daniel Vorcaro e a fraudes em aposentadorias. Noutro, apenas Flávio e seus apoiadores têm relação com o Banco Master e com os crimes cometidos contra pensioniastas do INSS.

No Brasil real, que enfrenta violência, falta de saúde e precariadade educacional, sobra desânimo quanto a Lula, que não explica os ganhos de Lulinha, e a Flávio, que se recusa assumir a amizade com Willer Tomaz, advogado investigado por lavagem de dinheiro e que foi preso temporariamente na Lava Jato.

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