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Geopolítica

Protestos invadem a América Latina

A população exige melhores condições do custo de vida e de trabalho

Protesto
A população saiu às ruas recentemente na Argentina, Colômbia, México e Chile por razões diferentes (Foto: Magnific)

A Europa não é a única região que enfrenta diversos protestos. Reivindicações sobre educação, custo de vida e condições precárias também avançam pela América Latina.

Manifestações estudantis na França deram sequência a uma onda de protestos por outros países, que também refletem as questões econômicas de cada governo.

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Na América Latina, a população saiu às ruas recentemente na Argentina, Colômbia, México e Chile por razões diferentes. Vale lembrar que os brasileiros também estiveram nas ruas neste mês de outubro, mas essas manifestações não podem ser caracterizadas como protestos e sim mobilizações políticas relacionadas às eleições presidenciais.

Os protestos da Latam

Argentina

Na última quinta-feira (15), a população argentina articulou mobilizações em Buenos Aires e outras cidades. Estudantes, professores, sindicatos e organizações da sociedade civil foram às ruas para exigir que o presidente Javier Milei cumpra a lei de financiamento universitário aprovada pelo Congresso.

A manifestação terminou em confrontos com a polícia, que usou gás lacrimogêneo.

As principais reivindicações incluíam:

  • Recomposição dos salários de professores e funcionários universitários;
  • Recuperação do orçamento das universidades públicas;
  • Cumprimento da legislação de financiamento educacional.;
  • Rejeição aos cortes de gastos públicos.

A disputa opõe a política de austeridade de Milei à manutenção do financiamento público da educação. O conflito também afeta salários, bolsas estudantis e a capacidade de funcionamento das universidades.

Colômbia

Na Colômbia, a última quarta-feira (14) foi marcada por manifestações em Bogotá, Medellín, Cali e outras cidades em oposição ao governo, exigindo melhores condições do custo de vida.

Milhares de pessoas participaram da primeira grande jornada nacional de protestos contra o governo do presidente Abelardo de la Espriella, que assumiu a cadeira em agosto. A mobilização reuniu sindicatos, estudantes, organizações indígenas e grupos de oposição, incluindo o ex-presidente Gustavo Petro.

Entre as principais reivindicações, os manifestantes rejeitam os cortes de programas públicos e sociais, exigiam medidas para enfrentar o aumento do custo de vida, queriam a defesa de direitos trabalhistas e da educação pública, e também contestavam as novas regras de atuação policial durante manifestações.

A mobilização pode ganhar força se o governo avançar com o ajuste fiscal e com mudanças nas políticas trabalhistas. A resposta policial também se tornou parte central do conflito.

México

No último domingo (18), mexicanos em Guadalajara foram às ruas para exigir acesso à água potável de qualidade e protestar contra a repressão policial registrada em uma manifestação anterior sobre o mesmo tema, em 11 de outubro.

Os participantes também cobraram justiça e a revogação do mandato do governador Pablo Lemus.

Vale lembrar que a falta de água potável afeta a saúde pública, os gastos das famílias com abastecimento alternativo e a atividade de empresas que dependem do recurso. A crise também pressiona o governo local a investir em infraestrutura e distribuição.

Chile

O Chile enfrenta neste mês duas frentes de manifestações. Uma greve trabalhista no setor de mineração e protestos pelo aniversário da revolta de 2019.

Trabalhadores da maior mina de cobre do mundo anunciaram a greve na última terça-feira (13) após considerarem insuficiente a oferta para um novo acordo coletivo. A mina Escondida é operada pela australiana BHP, empresa mineradora e petrolífera.

O conflito envolve as condições do contrato de trabalho e as negociações entre sindicatos e a empresa. Porém uma paralisação prolongada pode afetar a produção de cobre, a receita da mineradora e a cadeia de fornecedores. O cobre é uma das principais exportações chilenas, portanto conflitos prolongados no setor merecem atenção econômica.

Além disso, mais de cem pessoas foram detidas no Chile durante protestos no último domingo (18), nos atos que comemoravam o aniversário da revolta social de 2019. Esse evento começou após um aumento na tarifa do metrô de Santiago e se espalhou pelo país. Na época, as principais reivindicações eram por melhorias na saúde, na educação e nas aposentadorias.

Após meses de instabilidade, iniciou-se um processo para elaborar uma nova Constituição, no entanto as duas propostas apresentadas foram rejeitadas em plebiscitos.

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