A eleição presidencial está em sua última semana com Lula e Flávio Bolsonaro disputando cada voto. A depender da pesquisa, o empate entre os candidatos pode ser técnico ou numérico.
Lula aposta numa virada em Minas Gerais e no aumento dos votos no Nordeste para compensar as derrotas que colecionou em 14 estados mais o Distrito Federal.
Menos pior
A estratégia de Lula para virar o jogo é divulgar informações negativas sobre Flávio Bolsonaro. O petista tem classificado seu adversário como miliciano sempre que pode — e o candidato do PL nunca responde as acusações.
O planejamento de Flávio não mudou do primeiro para o segundo turno. O filho de Jair Bolsonaro continua acusando Lula de quebrar o Brasil, de defender criminosos e de perseguir a Direita.
As táticas têm sido usadas porque pesquisas recentes mostram que Flávio e Lula estão no limite de seus tetos de votos, restando apenas aos candidatos fazer com que eleitores abandonem o adversário.
Propostas?
A campanha começou oficialmente em 16 de agosto, ou seja, completou dois meses na última sexta-feira (16). Nesses mais de 60 dias, Lula e Flávio não apresentaram propostas detalhadas sobre o que prentedem fazer se vencerem o pleito.
Na domingo (18), no debate da Band, por exemplo, não se falou em Educação e a pauta econômica ficou restrita à dívida pública e ao endividamento da população. Indústria, serviços e outros setores parecem não existir para Lula e Flávio.
Cortes
O que falta em propostas, sobra em cortes nas redes sociais de Lula e Flávio. As duas campanhas, influenciadas por Pablo Marçal e André Janones, entendem que polemizar o outro garante a sensação de luta pelo ponto de vista político.
Só que as redes sociais têm sido acusadas de favorecer Flávio Bolsonaro, candidato preferido de Donald Trump, presidente dos EUA que têm em seu círculo político os empresários bilionários que são donos dessas plataformas.
Armas possíveis
O PT tem reclamado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre a suposta preferência das redes sociais aos conteúdos de Flávio. Mas o resultado ainda não é palpável — se é que será até domingo (25).
O governo Lula também tem usado a burocracia estatal para pressionar essas empresas, principalmente a Meta, dona do Facebook, do Instagram e do Whatsapp.
Fez isso com a Advocacia-Geral da União, a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral Eleitoral. Nos três casos, o objetivo foi investigar a Meta para pressioná-la. Não é segredo para ninguém que as companhias donas das redes sociais preferem Flávio a Lula, que defende a regulação das Big Techs.
Crime organizado
A decisão de Alexandre de Moraes que mandou prender Marcio Canella, aliado de Flávio Bolsonaro no Rio de Janeiro, trouxe um detalhe importante: o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) abriu investigações paralelas que miram o Comando Vermelho (CV), o Terceiro Comando Puro (TCP), as milícias, e o jogo do bicho.
Segundo a decisão de Moraes, é preciso saber o nível de "envolvimento de
agentes públicos e políticos com o crime organizado". Essa medida interessa aos EUA de Donald Trump, que elegeu o tráfico de drogas da América Latina para seu país como um dos principais problemas enfrentados pelos norte-americanos.
STF ignorado
Na mesma decisão sobre Márcio Canella, Moraes ordenou a "criação de um Escritório Avançado no Rio de Janeiro" para o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), órgão responsável por monitorar movimentações financeiras atípicas e alertar autoridades sobre esses fatos.
A ordem de Moraes mostra que a Política ignora o STF quando quer. A criação desse escritório especial do Coaf foi determinada há pouco mais de 12 meses, na ação que discute os limites de operações policiais em favelas do Rio de Janeiro e que passou a ser usada também para investigar milícias e outros grupos criminosos.
A política já havia ignorado o STF desde 2016, quando o Supremo determinou que estados e União resolvessem os problemas estruturais do sistema prisional brasileiro — equiparado a uma masmorra.
Morde e assopra
O STF tem dados sinais dúbios ao bolsonarismo. A Corte arquivou uma acusação de estupro contra Alfredo Gaspar e dias depois iniciou uma investigação que mira Flávio, entre outros investigados, sobre lavagem de dinheiro.
Também houve a decisão que liberou visitas de Flávio ao pai. A ordem antecedeu a determinação para que Eduardo Bolsonaro, que está foragido nos EUA, cumpra sua pena por coação no processo que culminou na prisão de Jair Bolsonaro por golpe de Estado.
Impeachment
Os bolsonaristas eleitos este ano para o Senado já anunciaram a ofensiva contra Alexandre de Moraes em 2027. Mas o STF não vai cair sem lutar. Não por Moraes, mas pelo precedente que será criado caso Moraes seja expulso da Corte.
Se o processo de impeachment for iniciado, ações penais deverão sair dos escaninhos para os plenários físico e virtual do Supremo Tribunal Federal.
Turma do KN
As revelações de que Kassio Nunes Marques orbitou festas de Daniel Vorcaro, dono do Master, agradam os adversários do presidente do TSE e ministro do STF. Nunes Marques conseguiu emplacar aliados em postos importantes do Judiciário.
A habilidade política de Nunes Marques incomoda seus adversários há tempos, desde que ele chegou ao STF, em novembro de 2020. Pelas costas do ministro, adversários o chamam de "gulosinho" por sempre querer indicar aliados.


