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Entrevistas

Os principais erros de segurança digital das PMEs

Homem no computador
(Foto: Magnific)

Com golpes digitais cada vez mais complexos e robustos, o cuidado dentro das empresas precisa ser redobrado em relação à segurança online. Isso também é válido para as Pequenas e Médias Empresas (PMEs). 

Muitas vezes, é através delas que hackers "iniciam" ataques digitais, justamente por obterem menos recursos de segurança e atenderem grandes companhias, podendo funcionar como porta de entrada. 

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Pensando nisso, O Brasilianista bateu um papo com Roberto Rebouças, gerente geral da Kaspersky no Brasil, para apontar os principais riscos e dar algumas dicas para os empreendedores evitarem invasões.

Quais são hoje os principais erros de segurança digital cometidos por micro e médias empresas no Brasil? 

Nós observamos que o maior erro é o fator humano. As pessoas sempre são a porta de entrada para a maioria dos golpes. De nada adianta investir em tecnologia se o funcionário não for treinado para reconhecer uma tentativa de phishing ou um e-mail falso criado por inteligência artificial.  

Um outro grave problema é a pressa na digitalização sem uma estratégia de segurança adequada. Isso acontece porque os empreendedores migram seus sistemas e documentos para serviços online, mas pecam na configuração dos acessos e na gestão das senhas. Um estudo nosso revelou que 62% das pequenas e médias empresas aqui no Brasil consideram as falhas na nuvem como o seu maior risco atual. Por fim, destaco a falta de atualizações de sistemas e o uso de softwares piratas, que continuam abrindo portas desnecessárias para criminosos.

Existe um perfil de empresa que é mais vulnerável a ataques cibernéticos? Quais características chamam a atenção dos criminosos?  

Os criminosos procuram sempre o que chamamos de "alvos de baixo esforço e alto retorno". Uma PME que processa um bom volume de transações financeiras diárias ou que guarda dados sensíveis de clientes, mas que não tem uma equipe de TI dedicada, é o cenário ideal para eles.

Outro fator que atrai a atenção dos invasores é o papel dessa PME no mercado. Muitas pequenas empresas são fornecedoras de grandes corporações - por exemplo, muitas empresas de tecnologia que fornecem infraestrutura para fintechs ou ecommerces. Para o cibercriminoso, é muito mais fácil invadir o sistema menos protegido do fornecedor para, e a partir dali usar uma conexão de confiança e tentar alcançar a rede da grande empresa. É o clássico ataque à cadeia de suprimentos.

Boas práticas: quais cuidados uma empresa deveria ter com contas de e-mail corporativo, WhatsApp e outros aplicativos usados diariamente pelos funcionários?  

A principal recomendação, que serve para qualquer porte de empresa, é adicionar uma camada extra de proteção nas credenciais. Para e-mails e sistemas na nuvem, isso significa ativar a autenticação em duas etapas (MFA). Já no WhatsApp, é obrigatório ativar a "Verificação em duas etapas", que é aquele PIN de seis dígitos nas configurações do aplicativo. Isso cria uma barreira enorme: mesmo que o funcionário caia em um golpe e entregue a senha ou o código de SMS, o criminoso não consegue acessar a conta sem essa segunda chave de segurança.

Outra prática essencial é a conscientização constante. Com o avanço da Inteligência Artificial, os e-mails e mensagens falsas estão visualmente idênticos aos verdadeiros, sem erros de português e muito persuasivos. A regra dentro da empresa deve ser clara: recebeu uma mensagem urgente pelo WhatsApp ou e-mail pedindo um pagamento ou a mudança na conta bancária de um fornecedor? Pare, pegue o telefone e faça uma ligação de voz para confirmar, caso não seja possível falar com a pessoa pessoalmente. Mas é importante que essa ligação deve ser feita para um número de telefone já conhecido e cadastrado no sistema da empresa, e nunca para um contato novo fornecido na própria mensagem suspeita.

Quanto um ataque cibernético pode representar de prejuízo para uma pequena ou média empresa?  

Em uma pesquisa que divulgamos em 2025, pequenas e médias empresas no mundo gastaram cerca de US$ 300 mil para remediar incidentes cibernéticos ao longo de um ano, 50% acima do orçamento destinado à segurança de TI. Mas, quando falamos de prejuízo, precisamos olhar além do dinheiro que pode ser roubado de uma conta.

Imagine uma clínica que não consegue acessar os exames ou uma loja que não consegue faturar nem despachar produtos porque um ransomware bloqueou seus sistemas. Cada hora parada é dinheiro perdido. A empresa ainda precisa recuperar a operação, contratar especialistas e reconquistar a confiança dos clientes, principalmente se houver vazamento de dados. Por isso, a gente reforça que investir em prevenção é uma forma de proteger a receita e a continuidade do negócio.

Quais são os sinais de alerta de que uma empresa pode já estar sendo alvo de um ataque?  

Os ataques modernos são muito silenciosos na fase inicial, mas costumam deixar rastros técnicos. O empreendedor e a sua equipe de suporte devem acender o sinal vermelho se perceberem servidores ou computadores ficando muito lentos e travando sem motivo aparente.

Outros sinais claros de tentativa de invasão são alertas de acessos na nuvem em horários fora do expediente ou originados de outros países, além de bloqueios repentinos nas senhas de usuários legítimos. E, claro, se arquivos começarem a mudar de formato e não puderem mais ser abertos, é o sintoma clássico de que um ataque de sequestro de dados já está em andamento.

Se um micro ou médio empreendedor tivesse dinheiro para investir em apenas três medidas de segurança digital, quais deveriam ser as prioridades?  

Se o orçamento for restrito, o investimento precisa ser focado em automação e no fator humano. A primeira prioridade é instalar uma solução de segurança com capacidade de Detecção e Resposta (o chamado EDR). A pequena empresa não tem analistas monitorando a rede 24 horas por dia; o EDR faz esse trabalho pesado, identificando e bloqueando ameaças complexas em tempo real antes que o dano ocorra.

A segunda prioridade é o treinamento dos funcionários para criar uma cultura de segurança robusta. A terceira medida é implementar uma política de backups estruturada. Ter cópias dos dados críticos da empresa armazenadas em um ambiente isolado, desconectado da rede principal, é a única garantia de que o negócio poderá se reerguer rapidamente em caso de desastre.  

Se o empreendedor descobrir que sua empresa foi invadida, quais devem ser as primeiras medidas tomadas nas primeiras horas? 

A primeira hora é crítica e a regra número um é conter o dano. Ao notar a invasão, é preciso isolar imediatamente as máquinas afetadas. Isso significa puxar o cabo de rede e desligar o Wi-Fi para que a ameaça não se espalhe para outros computadores ou para a nuvem. No entanto, é fundamental não desligar o computador da tomada. Manter a máquina ligada preserva informações essenciais na memória que ajudarão os especialistas a entender o que aconteceu.

Em seguida, a partir de um celular ou computador que não esteja conectado à rede infectada, devem-se trocar todas as senhas críticas da empresa: contas de e-mail, bancos e painéis de acesso à nuvem. Com a rede isolada e os acessos alterados, o próximo passo é acionar um parceiro de tecnologia especializado em resposta a incidentes e realizar o processo de recuperação com segurança. 

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