Ao menos 320 milhões de pessoas tiveram dados vazados ao redor do mundo, somente em setembro deste ano. É o que aponta um levantamento do Nikkei Asia.
Há ainda a suspeita de que alguns casos de vazamentos tenham ocorrido com o uso de inteligência artificial (IA). O estudo analisou ataques que expuseram dados de pelo menos 100 mil pessoas.
O Japão representa 20 dos 35 vazamentos analisados, totalizando 57 milhões de vítimas somente no país asiático. Outra tendência analisada foi o aumento das tentativas de roubo de dados pessoais.
Nesse caso, a IA pode ter sido um fator contribuinte, pois os sistemas dessa tecnologia são de acesso fácil pelos criminosos.
Por outro lado, usar IA para a defesa de sistemas pode trazer maiores limitações e garantir vantagens aos hackers.
O Brasilianista mostrou como o Brasil foi o terceiro maior alvo de ataques em sistemas de IA entre novembro do ano passado e março de 2026. Conforme o desenvolvimento da tecnologia avança, os riscos de ataques cibernéticos aumentam.
Além disso, quando o cenário geopolítico é sensível, como momentos de guerras e até mesmo eleições, as invasões se tornam mais comuns, segundo levantamento da Trellix.
Os Estados Unidos lideram os casos reportados de ataques cibernéticos por sistemas de IA, representando 6,80% dos registros. A Índia vem logo em seguida, com 5,27% dos casos e, em terceiro lugar, o Brasil, com 3,45% das invasões registradas.
Os agentes de ameaças estão abandonando os ataques tradicionais baseados em push em favor de uma engenharia social complexa baseada em estruturas persistentes profundamente incorporadas.
Cerca de 10,8% dos casos reportados aconteceram a sistemas do governo em todo o mundo. O segundo ambiente mais afetado no planeta são as finanças (8,9%).
Conflitos geopolíticos impulsionam invasão
O estudo da Trellix mostrou que as operações de Estados-nação aconteceram perto conflitos armados que ocorrem pelo mundo. Grupos alinhados à Rússia atacaram agressivamente infraestrutura ucraniana e entidades de defesa europeias usando vulnerabilidades.
Simultaneamente, grupos chineses expandiram suas operações pelo Sudeste Asiático e Oriente Médio. Ainda, grupos alinhados ao Irã intensificaram os ataques contra infraestruturas críticas em resposta às tensões regionais.
O levantamento deixa claro que momentos de instabilidade política podem afetar os sistemas tecnológicos de um governo. As eleições compõem essa lista de eventos que pode desestabilizar o sistema.
Porém, o Brasil sofre em manter a sua segurança de dados. Reportagem de O Brasilianista revelou, por exemplo, um caso do Superior Tribunal Militar (STM) que identificou um acidente de segurança cibernética em julho. O episódio ocorreu em um contexto de ataques cibernéticos que também afetaram outras instituições públicas.
Esse não foi o único hackeamento em um tribunal brasileiro. Um levantamento de O Antagonista de 2021 mostrou que 19 tribunais haviam sido infiltrados ao menos uma vez entre 2013 e 2021. Os alvos incluíam cortes superiores, além de tribunais de Justiça, federais, trabalhistas e eleitorais.
O Brasilianista apurou que pelo menos 11 incidentes contra tribunais aconteceram entre 2021 e 2026 em sete tribunais diferentes. Podem haver mais invasões que acabaram não sendo noticiadas por serem tratadas como sigilo em alguns casos.
Apesar dos casos registrarem danos pequenos, o Brasil ainda segue com uma série de problemas estruturais na segurança tecnológica.
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