A pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (8) traz mais más notícias para Lula. Flávio Bolsonaro registrou 52% das intenções de voto válidas contra 48% do petista.
Além de consolidar a liderança de Flávio, que sai da margem de erro, a pesquisa mostrou a Lula que o senador herdou mais eleitores do que ele no espólio deixado por Augusto Cury, Renan Santos, Ronaldo Caiado e Romeu Zema.
Flávio herda 46% dos eleitores de Augusto Cury, Renan Santos, Ronaldo Caiado e Romeu Zema. Lula fica com 32% desses eleitores. E os 15% desse grupo que votarão em branco ou nulo aumentam a diferença entre o presidente e o senador nos votos válidos.
A notícia já era esperada. Mas a má notícia é que a má notícia finalmente chegou numa campanha já em crise, com acusações mútuas de trabalho desleixado — "menos organizada", na palavra do próprio presidente Lula.
Repaginou

O presidente da República deu um cavalo de pau na sua comunicação e finalmente lembrou de colocar Geraldo Alckmin na campanha presidencial. Lula também rejuvenesceu a linguagem e até o estilo de filmagem.
Mas Lula não vai descontar os 4 pontos percentuais de vantagem de Flávio só com selfie e levemente escanteando a primeira-dama Janja da comunicação.
O petista terá que encontrar o defeito de Flávio que convencerá parte considerável dos 39.444.291 de eleitores que não foram às urnas, anularam seus votos ou votaram em branco a comparecer às urnas em 25 de outubro.
Só não pode errar

Flávio Bolsonaro vive o melhor dos mundos. Nos mesmos moldes de Fernando Collor de Mello — que venceu Lula por 53,03% dos votos a 46,97% em 1989 —, o candidato do PL já começa a pensar na sua equipe.
Nomes como o do ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto, para o Ministério da Fazenda, e o da ex-presidente da Caixa Daniella Marques são citados. Para o Supremo Tribunal Federal, Jorge Oliveira, ministro do Tribunal de Contas da União, já é mencionado.
Flávio só não pode errar, e tem tentado explicar superficialmente o que vai ou não fazer. Adolfo Sachsida, integrante da equipe de campanha do candidato do PL, já disse que não vai privatizar a Petrobras, Banco do Brasil e a Caixa.
Mas há temor sobre uma eventual reforma da previdência. Esse ponto, se bem explorado por Lula e mal respondido por Flávio, pode prejudicar fortemente o candidato do PL.
A vitória das emendas

Se a vitória de Flávio for confirmada, como mostram as pesquisas, o candidato do PL governará praticamente sem oposição. O Centrão passou a apoiá-lo oficialmente após passar todo o primeiro turno fingindo neutralidade.
PSD, Republicanos, União Brasil, PP e Avante já anunciaram que estarão com Flávio no segundo turno. O apoio é condicionado à continuação do modelo atual de pagamento de emendas parlamentares: os congressistas gastam o dinheiro do povo sem transparência nem responsabilidade.
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