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Justiça

Caso Master: mensagens mostram entregas de Vorcaro a ex-presidente do BRB

Conversas extraídas pela PF mostram ao menos cinco entregas ao então presidente do BRB durante a negociação para compra do Master

Paulo Henrique Costa e Vorcaro
Proposta de delação rejeitada pela PGR cita criptomoedas e imóveis Foto: reprodução

Mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro mostram que Paulo Henrique Costa, então presidente do Banco de Brasília (BRB), recebeu ao menos cinco sacolas ou encomendas levadas pelo motorista do banqueiro em Brasília ao longo de 2025.

As entregas ocorreram enquanto o BRB negociava a compra do Banco Master e tentava obter autorização do Banco Central para concluir a operação.

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A primeira entrega registrada ocorreu em 7 de fevereiro de 2025, antes de a negociação entre BRB e Master ser anunciada oficialmente.

Em uma troca de mensagens, Costa perguntou se poderia passar na residência de Vorcaro.

O banqueiro respondeu que o motorista, Sidney, estaria esperando. Depois, o funcionário avisou que o então presidente do BRB já havia buscado a sacola. As informações são do BNews.

Novas entregas

Em março, o motorista recebeu de Vorcaro a orientação de levar um “vinho” à residência de Costa.

Após a entrega, o então presidente do BRB agradeceu e perguntou se a safra era “bem especial”.

Em uma proposta de colaboração premiada apresentada posteriormente à PF, Vorcaro afirmou que o termo “vinho” era utilizado como código para propina.

A colaboração, porém, não foi aceita pela Procuradoria-Geral da República, e a alegação não constitui comprovação judicial de pagamento ilícito.

Os registros mostram outras encomendas nos meses seguintes. Em maio, enquanto BRB e Master negociavam com o Fundo Garantidor de Créditos, Vorcaro perguntou se Costa poderia passar novamente na casa do motorista.

Em julho, uma encomenda chegou de São Paulo no avião do banqueiro e deveria ser levada ao então presidente do BRB. As mensagens não esclarecem o conteúdo das sacolas, envelopes ou encomendas.

R$ 50 milhões

Na proposta de delação rejeitada pela PGR, Vorcaro afirmou que parte da suposta propina destinada a Costa teria sido paga em aproximadamente R$ 50 milhões em criptomoedas.

Segundo o relato do banqueiro, os ativos teriam sido armazenados em pen drives com cerca de R$ 5 milhões cada.

Vorcaro também alegou que outros valores teriam sido enviados de avião para Brasília e entregues por seu motorista ao então presidente do banco público.

Uma versão posterior da proposta acrescentou ainda a alegação de pagamentos em dinheiro vivo.

O banqueiro afirmou ainda que outra parcela da suposta vantagem seria paga por meio de seis imóveis avaliados em R$ 146,5 milhões.

Mensagens relacionadas às propriedades foram utilizadas pelas autoridades entre os elementos que fundamentaram a prisão de Costa. A transferência dos imóveis não teria sido concluída.

Defesas contestam

A PGR rejeitou tanto a proposta de colaboração de Vorcaro quanto a de Paulo Henrique Costa. 

A defesa de Vorcaro afirmou repudiar a divulgação de materiais relacionados a uma colaboração que não chegou a ser firmada e disse não reconhecer a “origem, autenticidade e integridade” do conteúdo divulgado.

A defesa de Costa foi procurada, mas não havia se manifestado até a publicação da reportagem.

Uma investigação da PF já apontou suspeitas de uma fraude de aproximadamente R$ 17 bilhões envolvendo operações entre as duas instituições.

O Brasilianista está aberto a manifestações dos citados e atualizará a reportagem caso receba posicionamentos.

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