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Economia

Eneva, do BTG, ganha na Venezuela, mas perde no Brasil

Empresa avança sobre petróleo e gás venezuelanos com a Halliburton enquanto enfrenta revés no TCU

Eneva, do BTG
Instituição carrega derrota para a Âmbar na disputa pelas térmicas da Eletrobras Foto: Divulgação

A Eneva, que tem o BTG Pactual como maior acionista individual, abriu uma nova frente de negócios na Venezuela em um momento em que enfrenta dificuldades para avançar em projetos no Brasil.

A companhia assinou um memorando de entendimento com a americana Halliburton para identificar e desenvolver oportunidades no setor de petróleo e gás venezuelano, mercado que passa por uma reabertura a empresas estrangeiras.

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O avanço ocorre na mesma semana em que a Eneva sofreu um revés no mercado brasileiro.

A câmara do Tribunal de Contas da União (TCU) responsável por soluções consensuais decidiu encerrar as negociações de um acordo para flexibilizar o funcionamento de termelétricas da companhia.

O movimento veio após a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) negar, por maioria, aval à proposta.

Venezuela

Na Venezuela, Eneva se posiciona para disputar os novos negócios de petróleo e gás

O acordo com a Halliburton formaliza conversas que já vinham sendo mantidas havia meses.

Executivos da Eneva têm viajado a Caracas e, agora, as duas companhias se comprometeram a identificar conjuntamente projetos que possam ser desenvolvidos no país.

A Halliburton possui quase nove décadas de atuação na Venezuela e mantém estrutura operacional local, um ativo importante para a entrada da brasileira no mercado.

O memorando ainda não representa a aquisição de campos ou uma concessão petrolífera.

Por enquanto, a Eneva ganhou uma posição para prospectar oportunidades em um dos países com as maiores reservas de petróleo do mundo.

A companhia também já havia indicado interesse em projetos de geração termelétrica a gás na Venezuela.

A movimentação ocorre durante a reabertura do setor venezuelano ao capital estrangeiro após a captura de Nicolás Maduro, em janeiro, e a instalação do governo interino de Delcy Rodríguez.

Mudanças regulatórias e a aproximação de Caracas com Washington passaram a atrair empresas interessadas em petróleo, gás e mineração, embora investidores ainda apontem dúvidas sobre a segurança jurídica dos novos contratos.

A Eneva é a segunda grande companhia brasileira a avançar nesse movimento. A JBS, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, adquiriu participação próxima de 50% na Petrororaima, que atua na região do Orinoco.

A Alvorada Heavy Industries, apoiada pela Galapagos Capital, também ampliou operações em blocos venezuelanos e negocia novas áreas.

Aneel derruba acordo

Enquanto abre portas em Caracas, a Eneva encontrou uma barreira regulatória no Brasil.

A companhia vinha negociando com o Ministério de Minas e Energia, sob mediação do TCU, uma mudança nos contratos de suas termelétricas para permitir maior flexibilidade no acionamento das unidades.

O debate alcançava projetos que somam cerca de 1,2 gigawatt de potência. Pela proposta, em vez de permanecerem operando compulsoriamente em determinados níveis, as térmicas poderiam ser acionadas conforme a necessidade do Sistema Interligado Nacional.

Cálculos apresentados pela empresa apontavam uma economia entre R$ 1,7 bilhão e R$ 3,2 bilhões aos consumidores do mercado regulado até 2030.

A Aneel, entretanto, negou por maioria o aval necessário para que a solução consensual avançasse.

Foram dois votos favoráveis entre os cinco integrantes da diretoria. Prevaleceu a avaliação de que não seria possível comprovar naquele momento os benefícios de longo prazo aos consumidores.

Depois da decisão da agência, a câmara do TCU decidiu interromper as negociações.

O tribunal, informou que o procedimento é sigiloso e que não havia informações públicas sobre seu andamento. A Eneva não comentou imediatamente.

Eneva já perdeu para a Âmbar

Não é a primeira vez que uma expansão da Eneva encontra obstáculos no mercado brasileiro.

Em 2024, a companhia participou da disputa pelas termelétricas que a Eletrobras decidiu colocar à venda.

Na ocasião, um fundo de private equity do BTG Pactual atuava em consórcio com a Eneva na tentativa de adquirir os ativos.

O desenho em análise previa que a Eneva fizesse uma proposta pelas duas maiores usinas a gás do pacote, Mauá e Aparecida, enquanto o fundo do BTG ficaria com outros ativos.

Do outro lado estava a Âmbar Energia, braço do grupo J&F, dos irmãos Batista.

A Âmbar venceu a disputa. Em junho de 2024, a Eletrobras anunciou a venda de seu portfólio termelétrico para a empresa da J&F por até R$ 4,7 bilhões, incluindo R$ 1,2 bilhão condicionado a resultados futuros.

A transação envolveu 12 usinas em operação e um projeto de implantação, com cerca de 2 GW de capacidade.

A derrota ocorreu antes de Eneva e BTG aprofundarem ainda mais sua relação. No mês seguinte, a companhia anunciou a incorporação de ativos de geração termelétrica pertencentes ao banco.

Atualmente, a Eneva possui capital pulverizado, mas o BTG Pactual é seu maior acionista individual, com 25,63% das ações. A BPAC Infra aparece com outros 22,5%.

A rivalidade com a Âmbar voltou a aparecer em 2026. Em um leilão de reserva de capacidade que contratou centenas de bilhões de reais em geração de energia, a empresa da J&F tentou anular parte do resultado depois de não conseguir realizar lances como pretendia.

Eneva e Petrobras se posicionaram contra os recursos apresentados pela concorrente, e a Aneel acabou rejeitando os pedidos da Âmbar.

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