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Justiça

PF aponta quem seria “Fátima de Allyson” citada em gravação da Operação Mederi

Relatório relaciona personagem mencionada por sócios da Dismed a Maria de Fátima Dantas dos Santos, que ocupou cargo comissionado na Prefeitura de Mossoró

Polícia Federal
Identificação ainda depende de novas diligências Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

A Polícia Federal apontou Maria de Fátima Dantas dos Santos como a provável mulher chamada apenas de “Fátima” em gravações feitas durante a Operação Mederi, que investiga suspeitas de irregularidades em contratos públicos da área da saúde em municípios do Rio Grande do Norte.

O nome aparece em conversas entre sócios da Dismed Distribuidora, fornecedora de medicamentos da Prefeitura de Mossoró.

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A conclusão, no entanto, ainda é tratada como hipótese pelos próprios investigadores.

Segundo o relatório, o cruzamento das gravações com registros públicos levou ao nome de Maria de Fátima, mas a PF registrou que seriam necessárias novas diligências para confirmar definitivamente a identificação e esclarecer eventual participação nos fatos investigados. As informações são do BNews.

A “matemática de Mossoró”

A personagem aparece em uma gravação ambiental feita no escritório da Dismed.

No diálogo, os sócios Oseas Monthalggan Fernandes Costa e José Moabe Zacarias Soares discutem a divisão de valores de uma ordem de compra de R$ 400 mil e descrevem um cálculo que um dos empresários chama de “matemática de Mossoró”.

Segundo a conversa analisada pela PF, depois dos custos e da margem da empresa, parte dos recursos seria destinada a terceiros.

Os interlocutores mencionam 15% atribuídos a Allyson Bezerra e 10% destinados a “Fátima”.

O relatório também registra outras referências a “Fátima” como possível destinatária de valores que os próprios investigadores descrevem como supostas comissões ou propinas.

Em outro trecho analisado pela PF, os empresários fazem referência a um evento em Mossoró e ao cantor Gusttavo Lima, elemento utilizado pelos investigadores no processo de identificação da mulher mencionada nas conversas.

Ex-assessora da Prefeitura

Maria de Fátima teve vínculo formal com a administração municipal. A Portaria nº 157, de 26 de março de 2024, assinada pelo então prefeito Allyson Bezerra, nomeou-a para o cargo comissionado de assessora de Comunicação, símbolo CC11, na Secretaria Municipal de Comunicação Social.

A PF também identificou uma empresa registrada em nome de Maria de Fátima, aberta em junho de 2022 e voltada à organização de feiras, congressos, exposições e festas.

Os dados empresariais foram considerados pelos investigadores junto às gravações e aos registros da prefeitura para sustentar a hipótese sobre sua identidade.

Debate eleitoral

A identidade de “Fátima” também passou a integrar a campanha para o Governo do Rio Grande do Norte.

Durante debate da TV Tropical na segunda-feira (21), Cadu de Lula (PT) questionou Allyson Bezerra (União Brasil) sobre quem seria a mulher citada nas gravações da Operação Mederi.

Allyson não identificou a personagem durante a resposta. O candidato afirmou que o adversário estava “baixando o nível” e reiterou que tinha “as mãos limpas”.

A identificação de Maria de Fátima pelo relatório policial veio a público posteriormente.

A Operação Mederi foi deflagrada em 27 de janeiro de 2026 pela Polícia Federal com apoio da Controladoria-Geral da União.

A investigação apura suspeitas relacionadas a contratos para aquisição de medicamentos e outros insumos de saúde e já incluiu buscas em endereços ligados a Allyson e a empresas fornecedoras.

A CGU registra oficialmente a Mederi entre as operações especiais realizadas neste ano.

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