A depender dos resultados eleitorais em outubro e (talvez) em novembro, Lula pode ter feito, nesta terça-feira (22), seu último discurso na Assembleia-Geral da ONU como presidente do Brasil.
Para evitar que essa tenha sido sua última fala aos líderes globais, Lula extrapolou os 15 minutos previstos para seu discurso mirando enfraquecer a imagem do Bolsonarismo e de Donald Trump, presidente dos EUA, no eleitorado brasileiro.
Lula afirmou que o Brasil definirá em poucos dias se prefere a Democracia ou o autoritarismo, a ciência ou o negacionismo, a equidade ou a imposição de subserviência a determinados grupos da sociedades.
Mesmo sem citar o nome de Flávio Bolsonaro, a mensagem de Lula mirou diretamente os preceitos defendidos por Jair Bolsonaro, pai do senador que o "ungiu" como candidato à Presidência.
O petista defendeu a polícia e o combate ao crime organizado dizendo que está enfrentando até os líderes dessas organizações, que corrompem políticos para proteger seus esquemas.
O presidente do Brasil destacou que essas investigações devem seguir "doa a quem doer" e seus feitos na Saúde, como campanhas de vacinação, e defendeu a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Todos esses pontos afrontam diretamente as falas dos Bolsonaro, que muitas vezes zombaram dos riscos da Covid-19 e dizem defender a Segurança Pública, e Trump, que também negou a Pandemia e impôs tarifas ao Brasil acusando o governo Lula de leniência com o crime organizado e classificou como organizações terroritas o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).
Brasil Soberano

O presidente do Brasil afirmou que não aceitará interferência externa nas eleições nem contra o PIX, e que não lhe agrada a presença de militar dos EUA no Brasil nem os estrategemas dos barões das Big Techs, da Inteligência Artificial e do mercado financeiro.
Lula cobrou a regulação da IA e das Big Techs, a quem acusou de criar escravos de algortimos e de manter redes de desinformação que miravam a soberania dos países que resistem a um "neoliberalismo sem regras" sonhado por esses empresários, mas que pode destruir a humanidade com o uso sem a "consciência" e a "responsabilidade" clamadas pelo Papa Leão XIV.
O petista também culpou a elite empresarial da tecnologia de roubar os brasileiros com plataformas de apostas. Lula reforçou os rumores de que imporá regras mais duras ao setor quando voltar ao Brasil ao dizer que esse lucro é obtido a partir do vício e da dor das famílias.
Lula afirmou ainda que os minerais raros do Brasil só serão explorados por outras nações se houver "geração de valor" para os brasileiros, garantindo uma política que concilia crescimento econômico à proteção ambiental e à redução das emissões de gases poluentes.
"Pai" dos oprimidos

Lula ainda aproveitou o discurso para defender os oprimidos de diversas nações enquanto tentava se desvencilhar da aura à Esquerda que a política mundial lhe conferiu ao longo de sua trajetória política.
O presidente chamou de neocolonialismo a operação dos EUA na Venezuela que prendeu Nicolás Maduro e de genocídio as operações militares e os assentamentos ilegais de Israel em Gaza e na Cisjordância.
Ao mesmo tempo, o petista colocou o Hamas na prateleiras das organizações terroristas e criticou o ditador da Nicarágua, Daniel Ortega.
Sobre o Brasil, Lula defendeu o fim da Escala 6x1 e destacou os resultados de sua gestão no combate ao desmatamento na Amazônia — mas não falou do aumento do desmatamento e dos problemas climáticos no Pantanal.

