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Economia

Entenda o que levou o Habib’s a pedir recuperação judicial

Grupo Gennius acumulou dívida de R$ 265,2 milhões após enfrentar os impactos da pandemia

Habib’s
Habib’s e outras empresas do Grupo Gennius continuam funcionando Foto: divulgação

O Grupo Gennius, controlador do Habib’s, Ragazzo, Tendall Grill e outras empresas, entrou em recuperação judicial com dívidas de R$ 265,2 milhões.

O pedido foi apresentado à Justiça após uma tentativa anterior de negociação com credores não resultar em acordo.

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A decisão dá início a uma nova etapa na reestruturação financeira do conglomerado.

Agora, o grupo terá 60 dias para apresentar um plano de recuperação e tentar reorganizar seus passivos. 

Pandemia, delivery e dívidas pressionaram o grupo

O grupo atribuiu a deterioração financeira a uma combinação de fatores. Primeiro, a pandemia afetou diretamente as operações entre 2020 e 2022, período em que restaurantes dependeram de restrições de circulação e mudanças no funcionamento.

Depois, o comportamento dos consumidores também mudou. A expansão das plataformas de delivery e dos marketplaces transformou a dinâmica do setor de alimentação, aumentando a concorrência e alterando a relação dos clientes com as unidades físicas.

Além disso, o peso das dívidas bancárias aumentou a pressão sobre o caixa. Segundo as informações apresentadas pelo grupo, o endividamento bancário ultrapassou R$ 300 milhões e passou a consumir uma parcela cada vez maior dos recursos necessários para manter as operações.

Tentativa de acordo não evitou a recuperação judicial

Como mostrou O Brasilianista, no fim de julho, o Grupo Gennius havia recorrido à Justiça para conseguir uma tutela cautelar antecedente. 

A medida oferecia uma proteção temporária contra determinadas cobranças enquanto a companhia negociava com os credores.

O objetivo era abrir espaço para uma reorganização financeira sem que diferentes processos de cobrança comprometessem simultaneamente os ativos das empresas. No entanto, as negociações não avançaram como o grupo esperava.

Por isso, a companhia decidiu apresentar o pedido de recuperação judicial. O Grupo Gennius informou que a medida faz parte de seu processo de reestruturação financeira e busca preservar a sustentabilidade do negócio no longo prazo.

O que muda para o Habib’s

A recuperação judicial não significa o encerramento das atividades. O grupo informou que suas operações continuam funcionando normalmente e que o atendimento aos consumidores não sofreu alterações.

A Justiça nomeou a KPMG Corporate Finance como administradora judicial do processo.

A empresa acompanhará o andamento da recuperação e as etapas relacionadas à reorganização das dívidas.

O grupo reúne uma estrutura ampla. O processo envolve 178 pessoas jurídicas e dois produtores rurais, além de franquias, holdings, sociedades operacionais e unidades das diferentes marcas.

Entre as empresas estão 119 lojas do Habib’s, 26 unidades do Ragazzo e seis churrascarias Tendall.

O tamanho da estrutura ajuda a explicar a complexidade da reorganização financeira.

Mudança no modelo de negócio também marcou os últimos anos

Fundado em 1988 por Alberto Saraiva, o Habib’s cresceu apostando em preços acessíveis e na expansão por franquias.

Durante a década de 2010, a rede chegou a faturar cerca de R$ 3 bilhões por ano e alcançou aproximadamente 600 unidades.

O modelo apostava fortemente em grandes restaurantes de rua, com estacionamento, parquinho infantil e drive-thru.

Contudo, a manutenção de centenas dessas unidades passou a representar um custo elevado para o grupo.

Nos últimos anos, a empresa iniciou uma mudança de estratégia. O conglomerado fechou pontos maiores e deficitários e passou a apostar em formatos menores, instalados em praças de alimentação, além de quiosques, operações de delivery e dark kitchens.

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