O governo de Donald Trump suspendeu temporariamente os agendamentos de entrevistas para vistos de imigração dos Estados Unidos, em uma medida anunciada em 25 de agosto e que afeta processos em representações diplomáticas americanas pelo mundo.
Segundo o Departamento de Estado, a pausa está relacionada a um programa global de treinamento para funcionários consulares.
A suspensão, porém, ocorre em um momento de endurecimento das políticas migratórias do governo.
A mudança interessa a milhões de pessoas que tentam transformar os Estados Unidos em residência permanente.
Cerca de 50,2 milhões de pessoas nascidas no exterior viviam no país em 2024, o equivalente a 14,8% da população americana, segundo o Census Bureau.
México lidera população imigrante nos Estados Unidos
Entre as nacionalidades que mais aparecem na população estrangeira dos EUA, o México ocupa uma posição muito distante das demais.
Em 2024, cerca de 11,1 milhões de residentes americanos haviam nascido no país, segundo dados do Census Bureau compilados pelo Migration Policy Institute.
O grupo representava aproximadamente 22% de toda a população imigrante dos Estados Unidos.
A Índia aparece na sequência, com cerca de 3,2 milhões de imigrantes, enquanto a China somava aproximadamente 2,6 milhões.
Filipinas, Cuba, El Salvador, Vietnã, Guatemala e República Dominicana também figuravam entre os principais países de origem.
Juntos, os dez maiores grupos de origem reuniam cerca de 27,5 milhões de pessoas, ou 55% de todos os imigrantes nos EUA em 2024.
Quem mais está na fila por um visto de imigração
A população que já vive nos Estados Unidos não é a mesma coisa que o grupo que está tentando obter um visto para imigrar.
Para medir essa demanda, o Departamento de Estado mantém uma lista de espera para determinadas categorias de vistos familiares e de trabalho.
No levantamento referente ao ano fiscal de 2024, México, Índia, Filipinas, República Dominicana e China estavam entre os países com mais pessoas registradas na fila.
O México aparecia disparado na liderança, com 1,19 milhão de pessoas registradas, seguido por Índia, com 290.942, e Filipinas, com 288.294.
A República Dominicana tinha 251.271 registros, enquanto a China continental somava 230.626.
O levantamento reunia 4,03 milhões de pessoas na lista mundial e mostrava como a demanda se concentra em alguns países.
| País | Pessoas na lista de espera |
| México | 1.190.444 |
| Índia | 290.942 |
| Filipinas | 288.294 |
| República Dominicana | 251.271 |
| China continental | 230.626 |
| Vietnã | 216.653 |
| Bangladesh | 215.386 |
| Paquistão | 142.091 |
| Haiti | 116.948 |
| El Salvador | 78.212 |
Fonte: Departamento de Estado dos EUA, lista de espera para vistos de imigração no ano fiscal de 2024.
E quanto tempo demora para conseguir?
Não existe um prazo único para quem quer imigrar para os Estados Unidos. O tempo depende principalmente do tipo de visto, da categoria migratória, da data em que o processo foi iniciado e da disponibilidade de vagas para cada país.
O próprio Departamento de Estado explica que entrevistas só podem ser marcadas quando há visto disponível e que, nas categorias sujeitas a limites anuais, o chamado Visa Bulletin determina quais processos podem avançar.
Os dados atuais mostram diferenças enormes entre os consulados. Em agosto de 2026, por exemplo, o sistema oficial indicava que o posto do Rio de Janeiro estava agendando entrevistas para casos de parentes imediatos com documentação completa de junho de 2026, enquanto categorias de preferência familiar e de emprego estavam trabalhando com casos documentariamente completos de setembro de 2025.
Isso significa que o tempo de espera pode variar bastante conforme a categoria do candidato.
Brasileiros também aparecem nesse cenário
O Brasil está entre os países com uma comunidade imigrante expressiva nos Estados Unidos, mas não aparece entre os cinco maiores grupos de origem.
Além disso, brasileiros podem enfrentar filas diferentes conforme o tipo de processo.
No levantamento oficial de vistos de imigração emitidos no ano fiscal de 2024, os consulados americanos registraram 5.806 vistos de imigrante para brasileiros nas categorias apresentadas pelo Departamento de Estado.
A situação brasileira também precisa ser observada à luz das mudanças recentes.
O Departamento de Estado passou a exigir, desde novembro de 2025, que candidatos a vistos de imigração sejam entrevistados, em regra, no país onde residem ou no país de nacionalidade, com exceções limitadas.
Trump endurece discurso contra imigrantes
O discurso de Donald Trump contra a imigração também ganhou um tom abertamente provocativo em um comício.
Na fala exibida no vídeo, o presidente dos Estados Unidos defende a entrada de imigrantes de países de origem nórdica e reclama da chegada de estrangeiros provenientes de nações que classifica de forma depreciativa.
Ao citar a Somália como exemplo, Trump associa os somalis à pirataria e afirma que eles seriam conhecidos por “roubar navios”.
A política migratória de Donald Trump não se limita ao combate à entrada irregular nos Estados Unidos.
Desde o início do segundo mandato, o governo também adotou medidas para restringir caminhos legais de imigração, atingindo refugiados, estudantes, trabalhadores qualificados e pessoas que buscam residência permanente.
A ofensiva também chegou aos vistos de trabalho. O governo estabeleceu uma taxa de US$ 100 mil para novos vistos H-1B, utilizados principalmente por profissionais qualificados e amplamente empregados por empresas de tecnologia.
ICE bate recorde de detenções
O Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) realizou 49.571 prisões em julho, segundo dados fornecidos pela própria agência ao Deportation Data Project e obtidos por meio de uma ação judicial baseada na Lei de Liberdade de Informação.
O volume representa alta de 15% em relação a junho, quando foram registradas 43.021 detenções, e de 70% ante fevereiro, que teve 29.241 prisões.
O crescimento ocorreu mesmo depois de o governo Trump mudar a forma de realizar as operações.
Em vez de concentrar ações de grande visibilidade em cidades específicas, o ICE passou a ampliar o uso de parcerias com forças policiais estaduais e locais.
Texas e Flórida responderam por quase 20 mil prisões em julho, enquanto departamentos que mantêm acordos com o ICE foram responsáveis por cerca de 6,5 mil detenções, o equivalente a 13% do total.
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