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Geopolítica

Meta paga R$ 86,3 bilhões por danos a jovens nos EUA

Empresa reduz equipes e tenta reorganizar operações com inteligência artificial

Empresa Meta
Acordo se soma a condenação no Novo México Foto: Farhat Altaf/Unsplash

Nesta quarta-feira (26), a empresa Meta chegou a um acordo de US$ 16,7 bilhões, cerca de R$ 86,3 bilhões, com 29 estados dos Estados Unidos em um processo que questionava os impactos do Facebook e do Instagram sobre crianças e adolescentes.

Mark Zuckerberg chegou a avaliar cortes que poderiam reduzir em até 60% algumas equipes da companhia para acelerar a adoção de inteligência artificial (IA).

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Meta transforma proteção de menores em uma questão bilionária

O acordo firmado pela Meta com os 29 estados americanos encerra um dos processos mais relevantes envolvendo a relação entre redes sociais e menores de idade. 

Os recursos da multa deverão financiar iniciativas de segurança digital para jovens e outras prioridades estaduais.

A companhia, contudo, não admitiu culpa pelas acusações apresentadas no processo.

Além do pagamento, a Meta se comprometeu a alterar o funcionamento do Facebook e do Instagram para usuários menores de 18 anos nos Estados Unidos.

Entre as medidas estão limite de duas horas diárias de uso, modo noturno entre meia-noite e 6h, modo escola, alertas sobre tempo de permanência e opção de feed sem recomendações algorítmicas.

A empresa também prometeu reforçar a identificação e a remoção de contas de menores de 13 anos.

A decisão ocorre poucas semanas depois de outro revés judicial. Como mostrou O Brasilianista, um tribunal do Novo México determinou que a Meta pagasse US$ 567 milhões, elevando para US$ 942 milhões (R$ 4,86 bilhões) a penalidade total naquele processo.

O juiz Bryan Biedscheid classificou a atuação da companhia como um “incômodo público” e também determinou restrições para reduzir riscos a crianças e adolescentes.

TikTok também entra na mira dos reguladores

A pressão não se restringe à Meta. No Brasil, a ANPD aplicou uma multa de R$ 153,7 milhões à ByteDance após identificar cinco violações relacionadas ao tratamento de dados de crianças e adolescentes no TikTok.

A apuração envolveu tanto o acesso à plataforma sem cadastro quanto a experiência de usuários cadastrados.

Além da multa, a agência determinou medidas como configurações de privacidade mais rígidas para menores de 16 anos, reforço do controle parental e filtros para conteúdos inadequados.

No acesso sem cadastro, o plano prevê ainda restrições a interações, mensagens, transmissões ao vivo, personalização do conteúdo e publicidade.

O TikTok contestou as conclusões e afirmou que a decisão considera práticas de 2021, anteriores às medidas previstas em seu plano de conformidade.

Em vez de analisar apenas conteúdos publicados pelos usuários, reguladores passaram a questionar como os próprios aplicativos coletam dados, recomendam conteúdos e estruturam experiências para crianças e adolescentes.

Zuckerberg tentou transformar a Meta em uma empresa “nativa em IA”

Enquanto enfrenta processos sobre segurança infantil, a Meta também promove uma profunda reorganização interna.

Zuckerberg e seus principais executivos criaram o Project OT, plano que pretendia transformar a companhia em uma organização “AI native”, com agentes de inteligência artificial assumindo parte do trabalho realizado atualmente por milhares de funcionários.

Durante o planejamento, executivos chegaram a considerar reduções de até 60% no tamanho de algumas equipes, segundo documentos internos.

A estratégia previa duas ondas de mudanças, a primeira ocorreu em maio, com uma redução de 10% da força de trabalho, enquanto uma segunda etapa estava prevista para novembro.

Zuckerberg, porém, cancelou a segunda onda horas antes da primeira rodada de demissões.

A tentativa de acelerar a transformação provocou reação entre funcionários. A avaliação interna de satisfação caiu de 74% para 55%, enquanto o uso crescente de ferramentas de IA também gerou problemas técnicos.

Alterações de código aumentaram 220% em um ano, mas as mudanças que efetivamente chegaram aos usuários cresceram 36%.

Além disso, incidentes técnicos e de segurança aumentaram 40%, enquanto o tempo dedicado pelas equipes para resolver esses problemas subiu 70%.

Meta diante de um novo desafio

A crise interna ganhou força porque a tecnologia usada para acelerar a produtividade não apresentou os resultados esperados em algumas áreas.

Em julho, Zuckerberg reconheceu que os agentes de IA estavam avançando mais lentamente do que ele havia previsto.

A empresa, então, passou a enfatizar uma estratégia de IA voltada a ampliar a capacidade dos funcionários, em vez de simplesmente substituí-los.

O problema é que a pressão financeira continua. A Meta planeja investir pelo menos US$ 130 bilhões (R$ 670,5 bilhões) em chips e infraestrutura de IA em 2026, aumentando a necessidade de controlar custos e demonstrar resultados aos investidores.

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