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Política

Mesmo com servidores em regime híbrido, Fazenda gasta R$ 6 milhões para manter prédio do Tesouro Nacional

Prédio da secretaria opera praticamente desocupado enquanto o órgão adquire novas cadeiras, computadores e notebooks

Fazenda gasta quase R$ 6 milhões para manter prédio anexo com servidores em regime híbrido
Aproximadamente 116 servidores trabalham presencialmente todos os dias Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O Ministério da Fazenda gasta R$ 6 milhões para manter funcionando um prédio da secretaria, enquanto 618 funcionários (84%) trabalham em home office.

O prédio é a Secretaria do Tesouro Nacional (STN), que se encontra praticamente desocupada, enquanto a própria administração adquire novos equipamentos e mobiliários, conforme revelou o Metrópoles.

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O Brasilianista obteve informações exclusivas do caso envolvendo os custos da estrutura para que a secretaria opere, incluindo gastos com funcionários, energia elétrica, manutenção predial e limpeza, mesmo que o lugar não tenha funcionários presenciais suficientes: são 116 servidores presenciais e 350 híbridos.

São aproximadamente R$ 500 mil por mês gastos para manter uma estrutura de 1.308 postos de trabalho para receber, no máximo, 180 pessoas por dia, isto é, apenas 14%. No restante, os 86%, a estrutura permanece vazia.

Em resposta, a Secretaria-Executiva da Fazenda  se limitou a responder por um despacho a fim de explicar os gastos por área em 2025. Veja a tabela abaixo: 

O Brasilianista aguarda retorno do Ministério da Fazenda para obter mais informações sobre a manutenção da infraestrutura e se existe uma pressão e planejamento para que os servidores retornem integralmente ao trabalho presencial em decorrência da aquisição dos equipamentos. 

Infraestrutura antiga e com problemas de manutenção

Mensagens obtidas sobre a infraestrutura indicam que ela é antiga e precisa de manutenção no motor de ventilação do ar-condicionado, tendo sido admitido, em algumas ocasiões, pela própria administração: “não recebemos informações sobre a causa da ocorrência nem há previsão para o restabelecimento do sistema”.

A estrutura também recebeu mensagens internas sobre problemas no funcionamento dos elevadores e da telefonia.

O custo da infraestrutura anual, para conserto, zeladoria e manutenção predial, é de aproximadamente R$ 6 milhões. O Brasilianista não teve acesso aos detalhes sobre as queixas que resultariam na representação.

Aquisição de cadeiras, desktops e notebooks

A STN adquiriu 700 cadeiras, 550 desktops e 300 notebooks para os servidores e pretende ainda utilizar os equipamentos mais antigos.

Para a aquisição de 550 desktops, foram disponibilizados aproximadamente R$ 6.830 para cada unidade, e 300 notebooks, a R$ 9.480 cada, que ainda vão ser entregues para os servidores da secretaria.

As compras custaram R$ 7,5 milhões aos cofres públicos na gestão do secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, entre 2023 e 2026.

Sobre a aquisição de notebooks e cadeiras, a compra foi autorizada pelo Decreto 10.193/2019, que regula o processo de contratações públicas e aquisição de bens.

Foi informado que a autorização ocorreu “não envolvendo a análise técnica e jurídica do procedimento” e que ela “constitui ato de governança das contratações estreitamente relacionado a uma avaliação sobre a conveniência da despesa pública”.

A justificativa apresentada sobre a aquisição do mobiliário, conforme o Documento de Formalização da Demanda 28/2024, diz que as poltronas do órgão foram adquiridas em 2009 e “apresentam desgastes, impactando na ergonomia e saúde dos colaboradores da STN”.

Em notas técnicas elaboradas pela Secretaria do Tesouro Nacional que tratam sobre a necessidade de adquirir os equipamentos, a justificativa adotada seria por conta da “pressão por melhorias focadas na experiência do empregado dentro do ambiente presencial de trabalho, ao mesmo tempo em que há necessidade de escalar a capacidade e segurança do ambiente remoto”.

Em resposta ao Metrópoles, a secretaria informou que adota modelos híbridos e de teletrabalho, mas destacou que isso não elimina a necessidade de fornecer equipamentos.

Segundo o órgão, a aquisição de computadores e notebooks não foi baseada apenas na ocupação física do prédio, mas nas necessidades operacionais, de continuidade dos serviços e de segurança da informação, uma vez que os servidores lidam com dados sigilosos e sistemas sensíveis.

O outro lado

Ao O Brasilianista, a secretaria informou que a contratação foi realizada conforme a lei prevista, com base em estudos e documentos que podem ser consultados publicamente. O processo mencionado para consulta no Sistema Eletrônico de Informações (SEI) é o nº 17944.001150/2025-40.

Nesse documento, segundo a nota, “constam as especificações dos equipamentos, os requisitos de segurança, as justificativas para o dimensionamento da contratação, a pesquisa de mercado e os demais atos e documentos relacionados ao certame”.

O Brasilianista acessou o documento que trata da justificativa e da consolidação da pesquisa de preços de mercado sobre a aquisição dos notebooks e desktops, classificados como “de alta segurança”.

A explicação para a aquisição do equipamento ocorreu seguindo diretrizes que exigem a consulta de, no mínimo, três preços, tendo sido realizadas cotações em sites de fabricantes oficiais.

O preço estimado pelo estudo de contratação foi de R$ 8,14 milhões, considerando 300 notebooks e 550 desktops. Esse documento foi assinado por técnicos da secretaria: Marcelo de Carvalho Miranda, Coordenador-Geral de Administração, e André Luiz de Souza.

Leia a íntegra da Consolidação de Pesquisa de Preços do Mercado.

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