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Economia

PIB cai e inflação desacelera; o que esperar da Economia até o fim do ano?

O Banco Central ainda sinaliza que os juros básicos devem seguir em patamares elevados

PIB cai e inflação desacelera; o que esperar da Economia até o fim do ano?

Pela primeira vez desde abril, o mercado revisou para baixo a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), ao mesmo tempo em que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) — principal indicador de inflação — de julho mostrou desaceleração mais acentuada da inflação.

Ainda assim, o Banco Central (BC) sinaliza que os juros básicos da economia, a Selic, devem seguir altos por mais tempo.

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O boletim Focus divulgado na última segunda-feira (10) mostrou que analistas acreditam que o crescimento econômico de 2026 será de 1,98%, uma queda de 0,01 ponto percentual a menos do que na semana passada. Vale lembrar que a perspectiva para o PIB não caía desde 13 de abril, quando foi de 1,86% para 1,85%.

O PIB de 2027 também foi revisado para baixo, enquanto o crescimento econômico de 2028 e 2029 tem previsão estável, sem mudança de tendência. Esse ajuste se deve ao corte da Selic realizado pelo Comitê de Política Monetária (Copom) realizado na semana passada. Os juros básicos da economia agora operam a 14% ao ano.

Inflação desacelera, mas ainda preocupa

Apesar da queda na projeção do PIB, o IPCA de julho apresentou a menor variação mensal para o mês em quatro anos, mas ainda assim ficou acima do que o mercado esperava. O índice desacelerou a 0,07% em julho, após marcar 0,16% em junho.

A baixa nos preços de alimentos e combustíveis foi o principal fator que ajudou nesse resultado, que não garantiu muita margem devido à alta da energia elétrica e das passagens aéreas.

Para além disso, outro ponto de atenção nos índices de inflação são os preços de serviços que seguem em patamar elevado no acumulado de 12 meses. Para agosto, a perspectiva é de que haja uma nova deflação após um bônus de energia produzida por Itaipu, que deve diminuir os gastos com energia elétrica.

Política monetária é incerta

O Copom realizou na reunião do dia 5 de agosto o quarto corte seguido de 0,25 pontos percentuais na Selic, que agora opera a 14% ao ano. Esse é o ciclo de afrouxamento mais suave desde 1999. Ainda assim, o Comitê evita prometer o ritmo dos próximos cortes em meio a um cenário de incerteza acerca dos conflitos armados no Oriente Médio e sobre a política monetária em algumas economias avançadas.

Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities.

O Copom projeta leve queda para a inflação de 2026, mas alta para 2027, sinal de que a convergência à meta está mais lenta do que o desejado.

“Em relação ao cenário doméstico, o conjunto dos indicadores divulgados desde a última reunião sugere uma moderação gradual da atividade econômica, embora ainda em patamar resiliente, com sinais mistos entre setores, e mercado de trabalho aquecido. Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia desacelerou, porém ainda acima do limite superior da meta, enquanto as medidas subjacentes desaceleraram para patamar ligeiramente abaixo do limite superior da meta”, diz a ata do Copom.

O que esperar da economia brasileira até o fim do ano?

Há outros riscos no radar até dezembro, como o El Niño que pode mexer com o preço dos alimentos e energia até o fim do ano, o conflito no Oriente Médio, a questão fiscal do governo, maior incerteza de câmbio ligada ao cenário pós-eleitoral de 2026 e, por fim, uma projeção de moderação da atividade profissional nos últimos trimestres do ano.

Dado esse contexto, reportagem da Folha mostra que analistas de diversas instituições financeiras preveem um novo corte de 0,25 p.p. em setembro, levando a Selic a 13,75%. O problema é o que acontece depois.

Alguns analistas veem espaço para pausa diante da incerteza eleitoral e dos choques externos, mas o ano deve terminar com juros ainda em patamar restritivo, inflação perto do teto da meta e crescimento revisado para baixo — cenário de equilíbrio delicado às vésperas da eleição.

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