Scott Bessent construiu uma carreira marcada por contrastes no mercado financeiro e na política dos Estados Unidos. Atual secretário do Tesouro no governo de Donald Trump, ele ganhou destaque por sua atuação em Wall Street e por se tornar uma das principais vozes das políticas econômicas da atual gestão, especialmente em temas como tarifas e gastos públicos.
Segundo a Britannica, Bessent nasceu em 1962, na Carolina do Sul, e teve uma infância impactada por dificuldades financeiras após a falência do pai, que atuava no setor imobiliário. Ainda jovem, começou a trabalhar durante o verão, experiência que marcou sua visão sobre dinheiro e carreira. Mais tarde, ingressou na Universidade de Yale, onde chegou a considerar o jornalismo antes de migrar para o setor financeiro.
Sua entrada no mercado aconteceu por meio de um estágio com Jim Rogers, parceiro inicial de George Soros. Esse contato abriu caminho para que Bessent se tornasse uma figura relevante dentro do Soros Fund Management, onde chegou a liderar operações internacionais e obteve lucros bilionários ao apostar contra moedas como a libra esterlina e o iene.
Ascensão no mercado financeiro
Ao longo dos anos, Bessent consolidou sua reputação como gestor de fundos e estrategista econômico. Ele fundou empresas próprias, como a Key Square Capital Management, e também retornou ao grupo de Soros em posições de liderança. Paralelamente, atuou como professor em Yale, ampliando sua influência no meio acadêmico.
Sua trajetória, no entanto, não se limitou ao mercado. Bessent também se envolveu ativamente na política, financiando campanhas de diferentes partidos. Durante anos, contribuiu com nomes do Partido Democrata, como Hillary Clinton, John Kerry e Barack Obama. Ele também apoiou causas ligadas aos direitos civis, incluindo o casamento igualitário.
A virada política ocorreu a partir de 2017, quando passou a se aproximar mais de Donald Trump. De acordo com a Revista Veja, nesse período ele doou 1 milhão de dólares para o comitê de posse do republicano e passou a atuar como articulador entre o então presidente e o mercado financeiro.
Relação com Trump e protagonismo econômico
A proximidade com Trump cresceu ao longo dos anos seguintes. Em 2024, Bessent participou de eventos e discussões estratégicas com investidores, defendendo pautas como controle de gastos, política tarifária e o papel do Federal Reserve.
Durante sua indicação ao Tesouro, Trump destacou sua experiência no mercado global e sua capacidade estratégica. Já no Senado, Bessent afirmou: “Trump me escolheu porque acredita que sou o melhor candidato, não pela minha orientação sexual”.
Sua nomeação foi aprovada com apoio de parlamentares dos dois partidos, o que reforçou sua posição como figura de diálogo, apesar das divergências ideológicas que marcaram sua trajetória.
Ideias econômicas e controvérsias
À frente do Tesouro, Bessent tem defendido uma política fiscal mais rígida. Durante sua sabatina, declarou: “Não temos um problema de receita nos Estados Unidos da América. Temos um problema de gastos”. A frase resume sua visão de que o principal desafio econômico do país está no controle dos gastos públicos.
Ele também apresentou metas conhecidas como regra 3-3-3, que incluem reduzir o déficit, estimular o crescimento econômico e ampliar a produção de petróleo. Essas propostas foram bem recebidas por parte do mercado financeiro, que viu nelas uma tentativa de equilibrar as contas públicas.
Apesar disso, sua gestão não está livre de polêmicas. Bessent já se envolveu em disputas internas no governo e enfrentou críticas sobre possíveis mudanças em programas sociais. Em resposta a especulações, afirmou publicamente: “Nossa administração está comprometida em proteger a Previdência Social e em garantir que os idosos tenham mais dinheiro”.
Outro ponto central de sua atuação tem sido a política de tarifas. Embora apoie medidas do governo, ele tem adotado um tom mais moderado em relação a propostas consideradas agressivas, buscando reduzir impactos negativos na economia global.
Além da carreira, Bessent também se destaca por ser o primeiro secretário do Tesouro abertamente gay nos Estados Unidos. Ele é casado com John Freeman e tem dois filhos.

