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Política

Deputados distritais temem a quebra do BRB

Parte dos integrantes da Câmara Legislativa do Distrito Federal afirma que o anúncio desse destino é questão de tempo

Deputados distritais temem a quebra do BRB

Deputados distritais temem que o Banco de Brasília (BRB) esteja quebrado e que o anúncio desse destino seja apenas questão de tempo. Os políticos falaram com O Brasilianista sob a condição de anonimato.

O temor sobre a quebra do BRB é citado por parte dos integrantes da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) devido ao atraso na entrega do balanço do banco. Os dados deveriam ter sido apresentados pela diretoria da instituição financeira na terça-feira (31).

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O envio do balanço pelo BRB foi uma das condições combinadas entre deputados distritais e a diretoria do banco para garantir a aprovação do projeto de lei que permitiu a capitalização da instituição financeira.

O Brasilianistamostrou que o rombo do BRB com o Master pode chegar a R$ 30 bilhões, pois R$ 21 bilhões comprados do banco de Daniel Vorcaro não estão despertando o interesse de compradores de títulos no mercado bancário.

Além dos R$ 21 bilhões, o BRB já teve que arcar com outros R$ 8,9 bilhões em carteiras de títulos podres compradas do Master. A dívida inicial era de pouco mais R$ 12 bilhões, mas parte desse valor foi devolvido ao banco de Vorcaro.

Para tentar amainar as desconfianças, a diretoria do BRB pediu mais prazo ao Banco Central (BC). Ainda não há informação sobre como a autoridade monetária vai lidar com o atraso.

Se vira

Ibaneis minimiza encontro com Vorcaro
Ibaneis Rocha terá de lidar sozinho com a crise criada pelo Caso Master (Foto: José Cruz/Agência Brasil)

A certeza é que o governo Lula não vai ajudar o BRB, principalmente porque o governo do Distrito Federal sempre foi oposição à atual gestão petista. Ibaneis Rocha (MDB), que renunciou ao cargo de governador em 28 de março para disputar uma vaga ao Senado, é próximo do grupo político de Jair Bolsonaro.

Celina Leão (PP), ex-vice-governadora que substituiu Ibaneis no Executivo do DF, é próxima de Michelle Bolsonaro (PL) e de Bia Kicis (PL). Celina será a candidata do bolsonarismo ao governo distrital, enquanto Michelle e Bia concorrerão com Ibaneis pelas duas vagas em disputa nas eleições deste ano.

Operando sem lastro

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Daniel Vorcaro, dono do Master, é acusado de inflar o balanço do banco (Foto: imagem criada por IA/ O Brasilianista)

O modelo de funcionamento do Banco Master baseava-se na estruturação de balanços por meio de ativos sem lastro real e operações de triangulação financeira. A instituição registrava em sua contabilidade títulos de baixo valor ou inexistentes, como créditos de carbono sobre terras da União e carteiras de crédito consignado sem devedores reais, para compor o patrimônio líquido.

A manutenção da liquidez ocorria através da transferência desses ativos entre fundos de investimento e empresas vinculadas. Nesses processos, os títulos passavam por reavaliações contábeis que elevavam os valores registrados sem que houvesse entrada de capital novo.

Esse mecanismo permitia que o banco apresentasse indicadores de solvência aos órgãos reguladores enquanto a disponibilidade de caixa permanecia reduzida. Com os balanços inflados, o banco captava recursos no mercado oferecendo taxas de retorno superiores à média.

O capital proveniente de novos investidores e de regimes de previdência municipal era utilizado para custear as operações e honrar resgates de depósitos anteriores. O sistema operava mediante a validação de auditorias que aceitavam as avaliações dos ativos sem a verificação física ou jurídica do lastro, ocultando o passivo real até a intervenção do BC, em novembro de 2025.

As justificativas do BRB

Instituição avalia uso de imóveis do Distrito Federal como garantia para evitar aporte direto do governo (Foto: Creative Commons)
BRB avalia usar imóveis do DF para evitar aporte direto do governo (Foto: Creative Commons)

O Brasilianista questionou o BRB sobre as informações veiculadas. A assessoria de imprensa do banco respondeu à reportagem com dois fatos relevantes (leia aqui e aqui) divulgados ao mercado na terça-feira (31).

Num dos fatos relevantes, o BRB afirmou que “a publicação das demonstrações financeiras referentes ao 3º (terceiro) e ao 4º (quarto) trimestres de 2025 será postergada, em razão da necessidade de conclusão dos trabalhos da auditoria forense contratada para apuração dos eventos relacionados à operação Compliance Zero”.

Noutro fato relevante, o BRB disse ainda que aprovou a convocação de uma assembleia-geral extraordinária. O encontro dos acionistas, marcado para 10h de 22 de abril.

A assembleia, segundo o BRB, servirá para discutir a proposta de alteração do artigo 13 do Estatuto Social, que prevê aumento do capital social do banco, e para chancelar Nelson Antônio de Souza e Joaquim Lima de Oliveira como conselheiros de administração da instituição financeira.