O cenário político se intensifica com a aproximação do calendário eleitoral e amplia a disputa por protagonismo entre governo, Congresso e Judiciário. Movimentos estratégicos na Câmara, rearranjos nas chapas da oposição, embates no Tribunal Superior Eleitoral e decisões do STF expõem um ambiente de forte polarização e articulação antecipada para 2026. Ao mesmo tempo, a agenda internacional e os debates sobre regulação digital adicionam novos elementos ao tabuleiro político.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), tem buscado assumir protagonismo em pautas com forte apelo eleitoral, tradicionalmente associadas ao governo Lula. Segundo O Globo, ele se antecipou ao Palácio do Planalto ao anunciar que dará prioridade a uma PEC que prevê o fim da jornada de trabalho 6×1, tema que o governo também preparava para enviar ao Congresso. A estratégia reforça o movimento do Legislativo de disputar espaço político em agendas como trabalho por aplicativos e segurança pública.
Bolsonaro
No campo da oposição, o ex-presidente Jair Bolsonaro definiu que sua chapa ao Senado por Santa Catarina será formada por seu filho, Carlos Bolsonaro, e pela deputada Caroline de Toni (PL). De acordo com a Folha de S.Paulo, a escolha teve influência de Michelle Bolsonaro e altera planos anteriores do partido no estado.
Em Brasília, o ministro do STF Alexandre de Moraes autorizou visitas de aliados a Jair Bolsonaro na Papuda, incluindo o senador Rogério Marinho e os deputados Marco Feliciano e Bia Kicis. A informação é da Folha de S.Paulo, que destaca a reorganização política da oposição em torno da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro ao Planalto.
Lula e a agenda internacional
No cenário internacional, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou o uso de conteúdos falsos manipulados por inteligência artificial e defendeu governança global para o setor durante discurso na Cúpula Impacto da IA, em Nova Delhi. Segundo o Valor Econômico, Lula também fez críticas às big techs e alinhou seu discurso ao de líderes como Narendra Modi, Emmanuel Macron e António Guterres.
Estados
No Rio de Janeiro, a formação da chapa estadual com Eduardo Paes (PSD) e Jane Reis (MDB) evidenciou alianças cruzadas para 2026. Conforme O Globo, enquanto Paes estará no palanque de Lula, aliados do MDB ligados à família Reis defendem apoio à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro, mostrando a complexidade das articulações regionais.
Também no Rio, o governador Cláudio Castro (PL) avalia deixar o cargo antes da conclusão do julgamento no TSE que pode resultar em sua cassação por suposto abuso de poder na eleição de 2022. Segundo o Valor Econômico, o processo foi liberado para voltar à pauta após pedido de vista e deve ser retomado em março.
TSE
O Tribunal Superior Eleitoral também virou palco de disputa entre PT e PL após desfile da escola Acadêmicos de Niterói em homenagem a Lula. Segundo O Globo, o PL acionou a Justiça Eleitoral para apurar financiamento do desfile, enquanto o PT avalia representar contra impulsionamentos pagos com críticas ao governo nas redes sociais.
Por fim, a Folha de S.Paulo revelou que a empresa do ministro do STF André Mendonça participa da promoção de evento na Alemanha do qual ele próprio é palestrante. O episódio ocorre em meio a discussões internas no Supremo sobre regras e limites para palestras e atividades privadas de ministros, tema que vem sendo tratado pelo presidente da Corte, Edson Fachin.

