O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou, na última segunda-feira (02), a criação de um estoque estratégico voltado a minerais críticos, iniciativa que começa com financiamento de US$ 10 bilhões do Banco de Exportação e Importação dos EUA. O projeto foi apresentado como uma resposta direta aos riscos de escassez enfrentados por empresas americanas em momentos de instabilidade do mercado global.
Durante evento no Salão Oval, Trump destacou que a proposta pretende dar previsibilidade à cadeia produtiva. “Por anos, empresas americanas correram o risco de ficar sem minerais críticos durante interrupções de mercado”, afirmou o presidente. Em seguida, acrescentou: “Hoje, estamos lançando o que será conhecido como Project Vault [Projeto Caixa-Forte], para garantir que empresas e trabalhadores americanos nunca sejam prejudicados por qualquer escassez”.
A medida ocorre em meio ao esforço do governo dos EUA para reduzir a dependência externa em insumos considerados estratégicos para a economia e a defesa nacional.
Resposta à pressão internacional sobre o mercado
Segundo informações do G1, Washington avalia que políticas chinesas têm influenciado os preços de minerais como lítio, níquel e terras raras, essenciais para a fabricação de veículos elétricos, sistemas militares avançados e equipamentos tecnológicos. Esse cenário, de acordo com autoridades americanas, tem dificultado a atuação de mineradoras locais ao longo dos últimos anos.
O Project Vault prevê a combinação de recursos privados e públicos. Serão US$ 2 bilhões de investimentos privados somados a um empréstimo de US$ 10 bilhões do EXIM Bank, destinado à compra e ao armazenamento dos minerais. O banco confirmou a aprovação do financiamento no mesmo dia do anúncio.
A reação do mercado foi imediata. Ações de empresas ligadas ao setor de minerais críticos, como MP Materials e USA Rare Earth Inc, registraram alta após a divulgação da iniciativa.
Impacto para a indústria e próximos passos
O projeto tem como foco atender montadoras, empresas de tecnologia e outros fabricantes, permitindo que essas companhias reduzam riscos financeiros associados à volatilidade no fornecimento de matérias-primas. A logística foi comparada, por integrantes do governo, a um modelo de compras em grande escala, semelhante a clubes de atacado.
Outro objetivo é formar um volume de reserva suficiente para até 60 dias em situações de emergência. A estocagem, segundo integrantes da administração, já começou. Também está prevista a criação de uma estrutura executiva própria, com participação do EXIM Bank no conselho do projeto.
O anúncio contou com a presença de representantes de grandes consumidores e produtores do setor, como a CEO da General Motors, Mary Barra, e o empresário Robert Friedland. No Congresso, a discussão sobre estoques estratégicos segue avançando, após a apresentação recente de um projeto de lei bipartidário que propõe uma reserva separada de US$ 2,5 bilhões para estabilizar preços e incentivar a produção doméstica.

