O banqueiro André Esteves, controlador do BTG Pactual, teve papel ativo nas conversas que antecederam mudanças recentes na política comercial e diplomática dos Estados Unidos em relação ao Brasil. Em reuniões com integrantes do governo Donald Trump, ele defendeu o fim das tarifas aplicadas a produtos brasileiros e questionou os efeitos das sanções impostas com base na Lei Magnitsky.
Segundo a Folha de SP, o encontro ocorreu no dia 18 de novembro, quando Esteves se reuniu com o secretário do Tesouro norte americano, Scott Bessent. Durante a conversa, o banqueiro sustentou que o aumento de tarifas criava prejuízos bilaterais, afetando tanto a economiza brasileira quanto o bolso do consumidor dos Estados Unidos.
Críticas ao tarifaço e impactos econômicos
Segundo relatos sobre a reunião, André Esteves argumentou que as tarifas encareciam produtos brasileiros no mercado americano, pressionando a inflação nos Estados Unidos. Esse efeito colateral, de acordo com ele, acabava contrariando os próprios objetivos econômicos do governo Trump.
O banqueiro também ressaltou que o ambiente institucional brasileiro seguia estável. No meio da exposição, ele alertou que decisões baseadas em tensões políticas poderiam gerar insegurança no sistema financeiro, especialmente para bancos com operações internacionais relevantes.
Dois dias após o encontro, em 20 de novembro, o presidente Donald Trump anunciou a suspensão das tarifas sobre produtos brasileiros. A decisão foi interpretada como resultado de uma avaliação mais ampla sobre os impactos econômicos da medida.
Lei Magnitsky e preocupação com o sistema financeiro
Além das tarifas, Esteves tratou diretamente das sanções impostas com base na Lei Magnitsky contra o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. O banqueiro destacou que a medida colocava instituições financeiras brasileiras em uma situação delicada.
Com presença no mercado americano, bancos brasileiros precisam cumprir a legislação dos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, o cumprimento integral da Lei Magnitsky poderia levá-los a um choque institucional, já que o fechamento de contas de um ministro do STF criaria conflito direto com o Judiciário brasileiro.
Na sexta feira (12), o governo Trump retirou Alexandre de Moraes da lista de pessoas sancionadas pela legislação. Entre os fatores considerados para a decisão, pesou novamente o impacto econômico indireto das sanções e das tarifas.
Repercussão política no Brasil
Após os desdobramentos, André Esteves relatou o teor das conversas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e também a integrantes do Supremo Tribunal Federal. O objetivo foi alinhar informações sobre os riscos evitados e os efeitos das decisões adotadas.
A retirada do nome de Moraes da lista da Lei Magnitsky gerou reações no campo político. O deputado Eduardo Bolsonaro atribuiu a mudança à falta de unidade da direita brasileira e agradeceu à gestão Trump pelo recuo.
No plano de fundo, especialistas apontam que a elevação de custos para o consumidor americano foi decisiva para a revisão das medidas, reforçando o argumento de que políticas comerciais punitivas tendem a produzir efeitos além das fronteiras diplomáticas.

