Já preso na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) admitiu, na tarde deste sábado (22), que tentou violar a tornozeleira eletrônica que utilizava por determinação judicial. Em conversa com uma policial, Bolsonaro relata que usou um ferro de solda para mexer no equipamento, que acabou severamente danificado.
As imagens exibidas pela televisão mostram o ex-presidente sentado, com a tornozeleira no pé, claramente queimada e com a estrutura plástica comprometida, especialmente na área do fecho. No diálogo gravado, Bolsonaro admite que tentou abrir o dispositivo utilizando o equipamento de solda, o que deixou os mecanismos internos praticamente destruídos.
Relatos técnicos sobre o estado do equipamento indicam sinais compatíveis com o uso de ferramenta de alta temperatura, o que levou ao acionamento do sistema de monitoramento e à necessidade de substituição emergencial da tornozeleira. O episódio reforça a avaliação de que houve tentativa deliberada de violar a medida cautelar imposta ao ex-presidente.
A confissão de Bolsonaro tende a fortalecer a narrativa das autoridades de que ele descumpriu as condições da fiscalização eletrônica, em um contexto já marcado por tensões com o Judiciário e por sucessivas contestações às decisões judiciais. O caso deve alimentar novos desdobramentos no inquérito e ampliar o contencioso jurídico envolvendo o ex-presidente.
Do ponto de vista político, o episódio enfraquece a versão de que os danos teriam sido fruto de defeito técnico do equipamento e abre espaço para críticas adicionais sobre a disposição de Bolsonaro em testar os limites das decisões do Judiciário. Enquanto aliados insistem no discurso de perseguição e vitimização, adversários veem na admissão de culpa a confirmação de que houve tentativa concreta de driblar a fiscalização eletrônica.


