A violência decorrente da criminalidade, além de grande impacto social, gera também uma conta bilionária para o país, de acordo com estimativas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA).
O levantamento mostrou que o Brasil perde mais de R$ 1 trilhão por ano com os efeitos diretos e indiretos da criminalidade, o equivalente a cerca de 11% do PIB nacional. O dado foi destacado em reportagem recente do InfoMoney.
Para o cientista político Rafael Cortez, “a violência se tornou parte do custo Brasil”. Segundo ele, sem uma política de segurança pública de longo prazo — com coordenação federativa e metas de eficiência — o país continuará desperdiçando riqueza e afastando investidores
Impacto nos cofres públicos
O cálculo considera gastos públicos com segurança, saúde, além de custos de processos judiciais e até perda de produtividade.
“É o imposto invisível do crime”, resume o economista Daniel Cerqueira, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA).
Segundo Cerqueira, “a violência consome recursos que deveriam ir para educação, inovação e infraestrutura, corroendo o potencial de crescimento”.
Nos estados mais violentos, isso fica mais evidente: o orçamento da segurança já consome fatias crescentes do total.
“É uma transferência silenciosa de investimento produtivo para o enfrentamento de emergências”, explica um técnico do Ministério da Fazenda ouvido pela reportagem.
Perda de investimento
A criminalidade também encarece o custo de fazer negócios no Brasil. Um levantamento do IPEA em 2024 mostrou que as empresas gastam cerca de 1,7% do PIB, cerca de R$ 171 bilhões anuais, apenas com medidas de segurança privada. As informações foram compartilhadas pelo Sindicato das Empresas de Seguros e Resseguros (SindSegSP)
Segundo reportagem da Gazeta do Povo, a insegurança pública é um dos principais fatores que desestimulam o investimento estrangeiro direto.. O resultado é sentido nas cidades mais afetadas com retração do turismo, perda de competitividade e fuga de capital humano qualificado.
Outro dado mostrou que o desenvolvimento social e econômico da América Latina e do Caribe continua fortemente afetado pela violência.
Segundo o relatório “Os Custos do Crime e da Violência: Expansão e Atualização das Estimativas para a América Latina e o Caribe”, divulgado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), os custos diretos do crime atingiram 3,44% do PIB regional em 2022, praticamente inalterados em relação ao levantamento anterior, de 2017.
Por que isso importa?
Se o Brasil reduzisse pela metade o custo econômico da violência, cerca de 5% do PIB, segundo o IPEA, isso significaria liberar mais de R$ 500 bilhões por ano para investimentos em infraestrutura, saúde e educação.
“A violência letal é um choque contra o desenvolvimento”, sintetiza Cerqueira.
A relação entre violência e economia é de retroalimentação. O desemprego e a falta de oportunidades alimentam o crime, que, por sua vez, afugenta investimentos e destrói empregos. O resultado é um ciclo de baixa produtividade, informalidade e estagnação.
“Tratar a segurança apenas como gasto é um erro”, diz o consultor em políticas públicas Ricardo Paes. “É investimento estratégico: reduzir a violência é destravar o crescimento”.
Como lembra o pesquisador Daniel Cerqueira, “um país seguro é um país mais rico, porque confiança e previsibilidade são as matérias-primas do investimento”.

