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Geopolítica

Trump chama candidato favorito à prefeitura de Nova York de “comunista” e ameaça cortar verbas

Presidente dos EUA faz críticas a Zohran Mamdani, líder nas pesquisas, e insinua que pode reter recursos caso ele vença a eleição

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Às vésperas da eleição que decidirá o novo prefeito de Nova York, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a atacar o democrata Zohran Mamdani, atual favorito nas pesquisas. Em entrevista ao programa 60 Minutes, da rede CBS, o republicano chamou o adversário de “comunista” e afirmou que poderá suspender o envio de verbas federais à cidade caso ele seja eleito.

“Ele é comunista, não socialista. É bem pior que um socialista”, declarou Trump no último domingo (02). O presidente também afirmou que, se Mamdani vencer, será “difícil enviar dinheiro a Nova York, porque não faz sentido enviar dinheiro a comunistas”, conforme reportagem do G1.

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Ataques e rivalidades

Essa não é a primeira vez que Trump tenta associar o político de origem africana e muçulmana ao comunismo. Antes, ele já o havia chamado de “lunático comunista”. As falas do republicano ocorrem em meio à disputa acirrada entre Mamdani e o ex-governador Andrew Cuomo, que tenta voltar ao cenário político como candidato independente após perder as primárias democratas.

Trump chegou a comparar sua imagem com a de Mamdani, que ficou conhecido pelo estilo informal e presença nas redes sociais. “Eu acho que sou uma pessoa muito mais bonita que ele, não?”, ironizou o presidente. Questionado sobre o comentário, Mamdani apenas sorriu e evitou responder.

Quem é Zohran Mamdani?

Nascido em Uganda e criado em Nova York, Mamdani tem 34 anos e se define como socialista democrático. Ele é filho da cineasta Mira Nair, premiada internacionalmente, e fala seis idiomas. Sua campanha ganhou força ao propor políticas de acessibilidade econômica, como congelamento de aluguéis, transporte público gratuito e creches universais.

De acordo com a BBC News Brasil, Mamdani tem se destacado pelo uso estratégico das redes sociais, principalmente o TikTok, onde reúne mais de 1,6 milhão de seguidores. Seu discurso, que mistura humor e pautas sociais, conquistou eleitores jovens e trabalhadores da classe média nova-iorquina.

“É hora de entendermos que defender a democracia não é apenas enfrentar uma administração autoritária. É também garantir que essa democracia consiga atender às necessidades materiais da classe trabalhadora”, afirmou o candidato.

Divisão política em Nova York

A ascensão de Mamdani dividiu o Partido Democrata e também provocou reações na elite financeira da cidade. O empresário Jamie Dimon, do JPMorgan Chase, chegou a afirmar que estaria disposto a colaborar caso o democrata seja eleito, enquanto outros investidores demonstram receio de suas propostas econômicas.

Por outro lado, Mamdani tenta reduzir resistências e se aproximar de críticos. Ele chegou a pedir desculpas por antigas declarações contra a polícia, feitas em meio aos protestos por justiça racial em 2020, e vem defendendo uma política de segurança comunitária.

Entre os temas mais polêmicos da campanha está sua posição crítica a Israel. O democrata apoia abertamente os direitos dos palestinos, o que gerou controvérsia entre eleitores judeus e líderes locais. Mesmo assim, continua liderando as intenções de voto, segundo as últimas pesquisas divulgadas.

Uma eleição simbólica

A votação ocorre na próxima terça-feira (04) e pode marcar a história da cidade. Caso Mamdani seja eleito, ele se tornará o primeiro prefeito muçulmano e sul-asiático de Nova York, além de ser o mais jovem a ocupar o cargo em mais de um século.

Analistas ouvidos pela BBC avaliam que uma eventual vitória de Mamdani representaria uma rejeição à política tradicional e um sinal de mudança entre os nova-iorquinos, que enfrentam altos custos de vida e desconfiança nas lideranças do partido.