Um levantamento da economista Lia Valls, pesquisadora associada do FGV/Ibre e professora da Uerj, mostrou que cinco dos dez produtos brasileiros mais afetados pelas novas tarifas impostas pelos Estados Unidos conseguiram redirecionar suas exportações para outros mercados.
O estudo foi divulgado pela Folha de S.Paulo e mostra que, apesar do impacto inicial do chamado “tarifaço”, parte relevante dos exportadores nacionais tem demonstrado capacidade de adaptação e resiliência.
De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pelo Icomex (Indicador de Comércio Exterior), metade dos dez produtos mais exportados para os EUA em setembro e não isentos das novas tarifas conseguiu compensar as perdas por meio de aumento nas vendas a outros países.
“O desastre para as exportações brasileiras não está acontecendo em um primeiro momento”, afirmou Lia Valls à Folha.
Entre os itens que conseguiram redirecionar parte das vendas estão café não torrado, carne bovina desossada, sebo bovino e preparações alimentícias de bovinos.
A reportagem mostrou que, somados, os cinco produtos que conseguiram se adaptar tiveram uma redução de US$ 127,9 milhões nas vendas aos Estados Unidos em setembro, mas essa perda foi mais do que compensada por um aumento de US$ 808,4 milhões nas exportações para o restante do mundo no mesmo período.
Negociações Brasil–EUA
O governo brasileiro tenta agora negociar uma redução ou suspensão das tarifas. Uma reunião presencial entre o ministro Mauro Vieira (Relações Exteriores), o secretário de Estado americano Marco Rubio e o representante comercial dos EUA Jamieson Greer aconteceu na quinta-feira (16).

