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Geopolítica

Brasil X Estados Unidos: como atritos entre os países estão afetando os acordos? 

Os países seguem tentando diálogo para possíveis tratativas

Brasil X Estados Unidos: como atritos entre os países estão afetando os acordos? 

As relações entre Brasil e Estados Unidos atravessaram um momento de tensão nos últimos meses. Um dos motivos do atrito na relação surgiu quando a Embaixada norte-americana de Brasília fez um post nas redes sociais com uma advertência ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. 

O comunicado, que foi divulgado no dia 07 de agosto, na rede social X dizia: “O ministro Moraes é o principal arquiteto da censura e perseguição contra Bolsonaro e seus apoiadores. Suas flagrantes violações de direitos humanos resultaram em sanções pela Lei Magnitsky, determinadas pelo presidente Trump. Os aliados de Moraes no Judiciário e em outras esferas estão avisados para não apoiar nem facilitar a conduta de Moraes. Estamos monitorando a situação de perto.”

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Diante desta situação, o diálogo entre Brasil e Estados Unidos foi interditado, levantando a suspeita da temida aplicação de tarifa de 50% a partir de agosto, que foi confirmada dias depois e entrou em vigor no dia 6 de agosto. 

Segundo apurado pelo G1, a Casa Branca declarou que o decreto foi adotado em resposta a ações do governo brasileiro que representaria uma “ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional, à política externa e à economia dos EUA”.

Outro ocorrido, conforme mencionado em matéria pela CNN Brasil foi quando o jornalista Paulo Figueiredo, aliado do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), afirmou que o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, e o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) tiveram seus vistos dos EUA cancelados. Ambos negaram a informação. 

A ausência de um embaixador oficial dos Estados Unidos no Brasil agrava a crise, já que a representação americana está sob comando de Gabriel Escobar, encarregado de negócios sem o nível diplomático necessário para lidar com o impasse comercial.

Visita a Washington

Para tentar reverter o quadro, senadores brasileiros estiveram em Washington no final de julho, para uma reunião com empresários que importam produtos do Brasil e com parlamentares americanos. 

Segundo o Senado Notícias, o grupo declarou ter evidenciado, em reuniões com congressistas e empresários americanos, as perdas para ambos os países, mas manifestou preocupação com possíveis sanções contra nações que mantêm relações comerciais com a Rússia, como o Brasil.

Em entrevista para o Senado Notícias, o senador Nelsinho Trad falou um pouco sobre a reunião: “A gente veio para fazer a diplomacia parlamentar que estava fria. Conseguimos reaquecer, distensionar a relação e conseguimos passar para eles a necessidade de manter esse canal de diálogo diante do caminho que vamos ter pela frente. De concreto que levamos para o Brasil, em relação a nossa prerrogativa, abrir canais, abrir caminhos para que essa relação pudesse ser ajeitada e com isso facilitar na frente novas tratativas de diálogo.”

Murillo de Aragão, mestre em Ciência Política, explica que, atualmente, agentes brasileiros participam regularmente de treinamentos nos Estados Unidos, enquanto norte-americanos atuam no Brasil em conjunto com a Polícia Federal e outros órgãos. E essa troca de informações e experiências é fundamental para operações de grande porte.

Ele finaliza: “No entanto, o mal-estar diplomático atual lança dúvidas sobre até que ponto a cooperação será preservada ou se sofrerá restrições”.