No mês passado, enquanto recebia o presidente sul-coreano Lee Jae Myung, no Salão Oval, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que a China precisará garantir o fornecimento de ímãs de terras raras ao mercado americano ou enfrentará tarifas de até 200%.
Em entrevista para a CNN Brasil, Trump expôs sua possível decisão. “Eles têm que nos fornecer ímãs. Se não nos fornecerem ímãs, teremos que cobrar uma tarifa de 200% ou algo assim, mas não teremos nenhum problema com isso.”
Trump afirmou que com uma tarifa de 200%, os EUA não fariam negócios com a China. Foi exatamente o que ocorreu quando Trump aplicou uma tarifa de 145% sobre produtos chineses, posteriormente reduzida para 30% no início deste ano.
Em resposta, a China elevou a tarifa para 125% sobre itens americanos, diminuindo-a depois para 10%. Durante o período das tarifas mais altas, o comércio entre os dois países praticamente ficou paralisado.
Conforme apurado pelo G1, no dia 11 de agosto, Trump assinou uma ordem executiva, que fez com que o Ministério do Comércio da China prorrogasse por 90 dias a suspensão de tarifas.
As declarações reforçam a pressão sobre um setor estratégico dominado pela China e vital para a indústria de alta tecnologia, elevando o risco de novas tensões comerciais.
O G1 entrevistou o Congressional Budget Office (CBO), órgão independente do Congresso dos EUA, que divulgou uma análise onde, segundo relatório, a redução do déficit total do país deverá ocorrer assim: o dinheiro arrecadado com as tarifas ajudará a reduzir o déficit primário (diferença entre receitas e despesas do governo) em US$ 3,3 trilhões até 2035, e, com a menor necessidade de empréstimos federais, os gastos com juros da dívida devem cair em US$ 700 bilhões, resultando em um impacto total de US$ 4 trilhões no período.
Diante disso, a CBO afirmou: “Devido às recentes mudanças nas tarifas, essas estimativas são maiores do que a redução de US$ 2,5 trilhões nos déficits primários e a diminuição de US$ 500 bilhões nos gastos com juros que projetamos no início de junho.”
Segundo a Carta Capital, Pequim e Washington entraram em uma intensa guerra comercial, reagindo mutuamente aos aumentos tarifários, até que as tarifas de ambos os lados chegaram a patamares de três dígitos.
Trump afirmou que mantém uma relação “estupenda” com a China e contou ter conversado recentemente com o presidente Xi Jinping. Segundo ele, em algum momento deste ano deverá realizar uma visita ao país asiático.
O que são os ímãs de terras raras?
As terras raras constituem um conjunto de 17 elementos químicos essenciais para a fabricação de smartphones, carros elétricos, turbinas eólicas, equipamentos médicos, foguetes e armamentos.
Os ímãs mais potentes são feitos a partir de ligas de terras raras, como o neodímio e o samário, podendo receber a adição de disprósio em algumas aplicações para garantir maior estabilidade térmica, sobretudo em contextos de alta performance.
De acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos, o Brasil possui a segunda maior reserva mundial de terras raras, estimada em cerca de 21 milhões de toneladas, ficando atrás apenas da China, que também lidera a extração e o refino desses minerais.

