inistro da Economia, Paulo Guedes, durante coletiva sobre a abertura oficial das negociações da entrada do Brasil na OCDE. Foto: Edu Andrade/Ascom/ME

Em evento, hoje, no Ceará, o ministro da Economia anunciou que a redução de 25% no IPI pode ser estendida para 30 a 35%. Guedes garantiu ainda que o acordo com o Amazonas será cumprido, mas não poupou críticas ao modelo de sustento da Zona Franca de Manaus. A negociação feita entre governo e parlamentares do estado é de que os produtos produzidos na ZFM serão excluídos do decreto que reduziu o imposto.

“O IPI mata a industrialização do Brasil e destrói a capacidade aquisitiva dos mais frágeis. É profundamente regressivo. Temos que reduzir esse imposto. O acordo era manter o IPI sobre o que é produzido hoje na Zona Franca. Não queremos prejudicar ninguém no presente, mas o futuro tem que ser diferente. Não podemos pensar em fazer uma São Paulo na Selva, criar uma potência industrial antiga, obsoleta, baseada em uma economia de alto carbono. A indústria que queremos instalar na selva é a indústria verde e digital”, declarou.

A bancada do Amazonas está preocupada com a demora e com o formato final do novo decreto prometido pela Economia para rever a redução ampla de IPI. A principal demanda dos parlamentares e dos empresários da Zona Franca de Manaus é que a redução seja revogada para todos os produtos que passam pelo Processo Produtivo Básico (PPB) dentro do país – um sistema que garante benefícios tributários para a ZFM. Contudo, segundo o vice-presidente da Câmara, Marcelo Ramos, o governo avisou que deve seguir em outra direção: vai escolher uma lista de alguns produtos que são produzidos em Manaus para rever a redução de IPI. Assim, apesar de garantir a vantagem competitiva de alguns setores, essa proposta pode acabar afetando parte da indústria amazonense.

“Quando negociamos o novo decreto do IPI para preservar a ZFM, ficou claro que seriam excluídos todos os produtos submetidos a PPB. Não é séria a postura da Economia de querer discutir itens. Ontem na sessão do Congresso já deixamos claro que não toleraremos quebra de acordo”, publicou Ramos.

O receio da indústria é que a redução de IPI para todo o país diminua a vantagem competitiva de se produzir na Zona Franca. “O IPI é um dos principais impostos que dão essa excepcionalidade para a Zona Franca de Manaus porque somos isentos. Se você reduz do restante do país, retira nossa vantagem comparativa, dadas as nossas dificuldades logísticas”, argumenta Nelson Azevedo, vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (FIEAM).

 

Autores

  • Jornalista brasiliense formado pela Universidade de Brasília (UnB). Tem passagem como repórter pelo Correio Braziliense, Rádio CBN e Brasil61.com. No site O Brasilianista cobre economia e política.

  • Editora-chefe na Arko Advice, desde fevereiro de 2022. Antes, atuou como repórter de política na CNN Brasil. Foi correspondente internacional em Nova Iorque pela Record TV. Atua em redação há 18 anos.