Ciro Gomes discursa no lançamento da pré-candidatura. Foto: PDT/Divulgação

O PDT lançou oficialmente nesta sexta-feira (21) a pré-candidatura de Ciro Gomes à presidência da República. O evento foi marcado por uma estratégia de comunicação de reconstrução da imagem de Ciro Gomes. Primeiro, o partido destacou o slogan “Ciro: a rebeldia da esperança”, relacionada à ideia de mudança.

O PDT também tenta resgatar a memória de figuras históricas da sigla. Toda a comunicação visual foi voltada a fazer um paralelo entre a figura de Ciro Gomes e Leonel Brizola, Darcy Ribeiro, e inclusive Getúlio Vargas, de quem o PDT se diz sucessor.

A estratégia de relacionar o candidato a uma figura histórica é parecida com a comunicação adotada pelo PSD, que tenta relacionar Rodrigo Pacheco ao ex-presidente Juscelino Kubitschek.

Mudanças econômicas profundas

No discurso do lançamento da pré-candidatura de Ciro Gomes, o ex-ministro defendeu “mudanças profundas” na economia brasileira. Segundo ele, de Fernando Collor a Jair Bolsonaro, os governantes adotam um mesmo modelo econômico, neo-liberal, que precisa ser mudado.

Defendeu um “Projeto Nacional de Desenvolvimento” que “desmonte o tripé econômico”, baseado em baseado em câmbio flutuante, meta de inflação e meta fiscal.

Teto de gastos

Entre os temas econômicos, Ciro criticou o Teto de Gastos, chamando a medida de “austeridade de araque”. Disse que o teto controla investimentos que beneficiam o povo e deixa livre a despesa financeira. Sem dar detalhes, propôs um modelo de austeridade alternativo “sem inflação e com equilíbrio fiscal verdadeiro”.

“Sei da importância do equilíbrio fiscal para se ter juros menores, e, em consequência, diminuir as despesas do governo […] Mas sei, também, que é possível conseguir este equilíbrio sem sacrificar os mais pobres nem levar o país para a estagnação e o atraso. Precisamos fazê-lo não para agradar banqueiros ou especuladores, mas exatamente para não ficarmos sob seu jugo ou sua tutela”, defendeu.

Disse que vai taxar as grandes fortunas, além de tributar lucros e dividendos. Disse que quer melhorar a desoneração da produção. “Incentivo fiscal é importante quando feito de forma inteligente”, disse.

Destacou também que mudará a política de preço da Petrobras e reeditou o slogan “O petróleo é nosso”. Defendeu a renda mínima universal e criticou a reforma trabalhista, principalmente em relação à diminuição do papel dos sindicatos. Contudo, disse que não se pode ignorar as mudanças no mercado de trabalho.

“Inimigo da República”

No campo político, Ciro distribuiu críticas aos adversários. Chamou Sérgio Moro (Podemos) de “falso herói” e “inimigo da República”, Jair Bolsonaro (PL) de “obscurantista e criminoso” e disse que a política de segurança pública de Lula (PT) levou ao “encarceramento em massa de jovens pobres e negros”.

Em meio a negociações entre partidos de esquerda para formação de uma federação partidária, Ciro criticou o que chamou de “uma falsa versão de união nacional”. Disse que uniões nacionais podem ser “desastrosas quando feitas em torno de conchavos, de acordos de poder pelo poder; ou de ideias românticas e memória afetiva supostamente generosas, mas insinceras e comprometidas em suas origens e essências”.

O candidato disse que lançará um plano emergencial de pleno emprego, com a criação de 5 milhões de vagas nos dois primeiros anos de governo. Falou também que vai apoiar um programa para financiar smartphones e expandir o acesso à internet.

Ressentimento com Lula

Em entrevista após o discurso, Ciro se mostrou ressentido com Lula por não ter recebido apoio do petista em 2018. Ele chegou a depositar sobre Lula a responsabilidade da eleição de Bolsonaro, visto que o ex-presidente insistiu na própria candidatura enquanto ele era uma opção na esquerda. “Não posso, de novo, ficar ajudando as irresponsabilidades do Lula”, disse.

Ciro também menosprezou as chances políticas de Moro. “Eu não vejo Sérgio Moro na disputa”. Questionado sobre possíveis alianças, disse que aceitaria se unir a quem o apoiar na luta contra o tripé macroeconômico baseado em câmbio flutuante, meta de inflação e meta fiscal. Disse que idealiza uma aliança com Marina Silva e que a ex-ministra do Meio Ambiente tem qualidades para ser presidente da República. Destacou ainda que, na Bahia, o PDT deve apoiar ACM Neto.


Autor

  • Jornalista brasiliense formado pela Universidade de Brasília (UnB). Tem passagem como repórter pelo Correio Braziliense, Rádio CBN e Brasil61.com. No site O Brasilianista cobre economia e política.