Sérgio Moro no evento de filiação. Fotos: Saulo Rolim / Sérgio Lima / Danilo Martins

O evento de filiação de Sérgio Moro ao Podemos que acontece neste momento, se transformou em uma espécie de lançamento da candidatura, com direito a plano do governo e ataques a Jair Bolsonaro.

O evento reuniu parlamentares e ex-membros da Lava-Jato. O ex-ministro da saúde, Luiz Henrique Mandetta, também esteve presente.

O discurso de Moro e a fala de membros do partido ouvidos pela Arko mostram que o ex-juiz segue confiando na imagem que construiu a frente da operação Lava-Jato.

Moro falou no fim do foro privilegiado, da reeleição no Executivo, e de privilégios da classe política. Contudo, o tema central segue sendo a proposta de institucionalizar a Operação Lava-Jato como uma política permanente. Nesse ponto, o partido enfrenta certas dificuldades, uma vez que o discurso lava-jatista tem sofrido desgastes. A própria anulação da condenação de Lula e a presença do ex-presidente no pleito de 2022 é uma delas.

Além disso, o partido tenta posicionar a candidatura de Moro como uma opção longe dos extremos. E quando falam em extremos, se referem a Lula e Bolsonaro. Seguindo nessa linha, Moro já direciona seu discurso para explicar sua participação no governo Bolsonaro. “Eu acreditava em uma missão. Queria combater a corrupção e para isso precisava do apoio do governo, o que não tive. Tive meu trabalho boicotado”, justificou, no discurso. Ele chegou a fazer ataques diretos a Bolsonaro: “Chega de rachadinha e chega de orçamento secreto, de tentar conseguir vantagem em tudo”.

Moro também filia-se a um partido que, em grande medida tem atuado ao lado do governo Bolsonaro, inclusive com uma defesa contundente na CPI da Pandemia. Ainda assim, o candidato não poupa críticas e ataques ao presidente. “É mentira que o governo acabou com a corrupção, quando na verdade as ferramentas para combatê-la foram enfraquecidas”, declarou o ex-juiz.

Economia

Moro também vai precisar se esforçar na construção de uma plataforma econômica relevante e coerente. “Olhando para as reformas que estão sendo aprovadas, o que se percebe é que ninguém está pensando nas pessoas. Mesmo com o auxílio Brasil, que é importante, vem coisas ruins juntas, como o calote de dividas. Quando o governo finalmente decide vender uma estatal, vem uma série de jabutis” disse Moro.

O candidato defendeu a reforma tributária, a privatização de estatais e se disse defensor da livre iniciativa. Declarou, porém, que “o momento nos impede de adotar o capitalismo cego”, propondo o que chamou uma “força-tarefa de erradicação da pobreza”.

Aceno à Imprensa

Em seu discurso, Moro elogiou a imprensa, em reconhecimento ao trabalho de fiscalização do poder, e criticou os ataques feitos por Bolsonaro a jornalistas. Declarou também que “nunca fará o controle da imprensa”, em uma possível referência à fala de Lula de que iria regular a atuação dos veículos de comunicação.


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