A reunião do diretório do Partido Liberal (PL), realizada nesta quarta-feira (17/11), em Brasília, serviu para alinhar o partido para receber o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido). De acordo com as lideranças, por unanimidade, a sigla resolveu dar “carta branca” ao presidente Valdemar Costa Neto para negociar diretamente com Bolsonaro.

Tema de debate, as indicações para candidaturas nos Estados em 2022 serão discutidas individualmente. Mas o senador Wellington Fagundes (PL-MT), declarou que “dificilmente” o partido se coligará a siglas adversárias de Bolsonaro em 2022. Nos bastidores, comenta-se que apesar da resistência dos Estados do nordeste a essa decisão, o alinhamento é claro e os membros que não estiverem de acordo, devem deixar o partido em breve.

No Piauí, onde o partido tem como presidente o deputado estadual Fábio Xavier, a proximidade da sigla com o Partido dos Trabalhadores (PT) é clara. Xavier foi secretário das Cidades na gestão do petista Wellington Dias (PT-PI), atual governador do Estado.

O senador Jorginho Mello (PL-SC), apoiador de Bolsonaro, afirmou que no partido o clima com a filiação do presidente é de apoio unânime. “O partido entrega procuração ao presidente Valdemar para que ele trate com o presidente Bolsonaro. Todo mundo vai receber o presidente de braços abertos”, declarou.

Outro estado que causa divergência é São Paulo. No reduto tucano o PL havia firmado acordo para apoiar a candidatura de Rodrigo Garcia, do PSDB, partido que forma oposição ao governo. Agora, o cenário deve mudar. “A decisão do partido é que o presidente Bolsonaro terá apoio do PL em São Paulo com candidato do próprio partido ou uma coligação”, disse o senador Wellington Fagundes.

Nenhum presidente regional ligado à esquerda falou com a imprensa em nome do partido. A nova data da filiação, marcada anteriormente para 22 de novembro, não foi definida.

Assim, as divergências regionais serão definidas caso a caso e, na prática, serão definidas por Jair Bolsonaro. O líder do PL no Espírito Santo e forte aliado do presidente, Magno Malta, afirmou que a reunião foi importante para ajustar os detalhes da chegada de Bolsonaro à sigla.
“Deveria ter acontecido antes”, disse Malta. “O PL não apoiará a esquerda em lugar nenhum”. Segundo o ex-senador, ele não conversou com o presidente ainda sobre as decisões tomadas na reunião.

De acordo com comunicado divulgado pelo partido na noite desta quarta-feira, o PL “está pronto e alinhado para receber o presidente Jair Bolsonaro em todos os Estados”. Também informa que o presidente da sigla, Valdemar Costa Neto, “tem carta branca para conduzir e decidir sobre a sucessão presidencial e a filiação do presidente da República”.

Bolsonaro está em viagem diplomática no Qatar e ainda não se pronunciou sobre o tema.

Divergências

O deputado Marcelo Ramos, vice-presidente da Câmara dos Deputados, é contrário à filiação de Bolsonaro ao partido. Em conversa com a Arko na terça-feira (16), o deputado não dispensou a possibilidade de sair do partido caso a filiação ocorra. “Meu desejo é continuar no partido, mas se ele se filiar vou ter que discutir os termos da minha permanência”, disse.

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