Foto: Divulgação/Blog do Esmael

Segundo o BC, brasileiros estão sacando mais dinheiro e guardando em casa, aumentando a demanda por papel-moeda. Nova cédula vai ser ilustrada com lobo guará

Nesta quarta-feira (29), o Banco Central (BC) anunciou que no final de agosto deve entrar em circulação no Brasil uma nova cédula do Real: a nota de R$ 200. De acordo com o BC, durante a pandemia foi registrado um grande entesouramento, ou seja, as pessoas estão guardando mais dinheiro e tirando as notas de circulação.

Com a crise e com o auxílio emergencial, os brasileiros começaram a fazer um número maior de saques e a guardar o dinheiro em casa, ao mesmo tempo que passaram a gastar menos.

“Em momentos de incerteza, as pessoas tendem a fazer saques e a acumular reservas. O dinheiro nesses momento é sinal de estabilidade”, explicou a diretora de administração do BC, Carolina de Assis Barros. “O Banco Central também acredita que os beneficiários do Auxílio Emergencial que receberam o auxílio em espécie não retornaram esse dinheiro ao sistema bancário com a velocidade que a gente esperava. E nesse momento, o BC não consegue dizer com precisão por quanto tempo esse entesouramento vai perdurar”, pontua.

A instituição calcula que a quantidade de papel moeda, dinheiro físico, nas mãos dos brasileiros passou de R$ 216 bilhões em março para R$ 277 bilhões na metade de julho.

Serão 450 milhões de notas de R$ 200 que serão injetadas aos poucos no mercado, totalizando um total de R$ 90 bilhões. O BC classificou a ação como “preventiva”, já que é prevista uma demanda maior por papel moeda nos próximos meses.

A existência de uma nota de valor mais alto também permite que o BC reduza os custos de transporte e logística do papel.

Carolina negou que a nova cédula tenha sido criada devido a uma perda de valor do Real.

A nota, que ainda não teve a imagem divulgada, deve ser ilustrada com a imagem do lobo-guará, animal que ficou em terceiro lugar em uma pesquisa realizada em 2001 pelo BC. Em primeiro e segundo lugar ficaram a tartaruga marinha e o mico-leão-dourado, animais que já aparecem nas notas de R$ 2 e de R$ 20.

Meios digitais

O Banco Central também tem liderado um fortalecimento da circulação de dinheiro pelos meios digitais, sem a necessidade de papel moeda. Em novembro será lançado o PIX, um serviço do BC que vai permitir transferências e pagamentos em tempo real e sem custos para o usuário. A plataforma vai permitir pagamentos por QR Codes, de forma semelhante ao que é feito por empresas como o PicPay.

A diretora de administração do BC negou que o lançamento da nova cédula vá na contramão dessa tendência de digitalização do dinheiro. “O BC atua suprindo a demanda. E nesse momento a demanda da população é por papel moeda. Se houver mudança dessa tendência, o BC fará os ajustes”, defendeu.