Fragilização de Lula ameaça o PT


A recente revelação feita pelo ex-ministro Antônio Palocci (PT-SP) sobre a suposta existência de um “pacto de sangue” da propina envolvendo Lula intensificou a fragilização do ex-presidente.

Isso pode ser percebido no depoimento que o ex-presidente prestou na semana passada ao juiz Sérgio Moro. Ao contrário do depoimento anterior, Lula mostrou-se bastante irritado, não conseguindo transformar o evento num palanque eleitoral como pretendia, além de encontrar dificuldades para esclarecer os questionamentos feitos por Moro.

A manifestação de Antônio Palocci levou até mesmo o ex-ministro Ciro Gomes (PDT-CE), aliado de Lula, a declarar que as revelações de Palocci “derrubam a narrativa do ex-presidente”. Até então, Lula insistia que ele e o PT são “vítimas de uma perseguição política supostamente imposta pelo Poder Judiciário”.

Como o PT, desde a crise do mensalão, é um partido muito dependente do chamado Lulismo, a fragilização do ex-presidente cria sérios problemas para os petistas.

Caso Lula não seja candidato ao Palácio do Planalto nas eleições de 2018 (desistindo de concorrer ou em caso de condenação em segunda instância na Lava-Jato), os nomes que surgem como opção para substituí-lo tem baixa densidade eleitoral.

Aliás, segundo pesquisa do Instituto Paraná, quando os entrevistados são questionados sobre quem deveria ser o candidato a presidente da República caso Lula não possa concorrer, 15,7% citou Ciro. 10,7% mencionou o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), enquanto 5,0% citou o ex-governador da Bahia Jaques Wagner. A maioria dos entrevistados (62,8%) respondeu que nenhum desses nomes deveria ser o substituto de Lula.

Ou seja, mesmo que nomes petistas como Haddad e Wagner sejam mencionados como alternativas, hoje, parcela expressiva do eleitorado Lulista (cerca de 30%) não migra para ninguém.

Isso significa que esse eleitor, que possui um perfil socioeconômico de baixa renda e escolaridade, localizado principalmente nos pequenos municípios da região Nordeste, fica “órfão” sem o nome do ex-presidente no tabuleiro.

Embora a pesquisa do Instituto Paraná não tenha colocado o nome da ex-senadora Marina Silva (REDE), é possível que o eleitorado Lulista opte por ela, caso Lula não seja candidato. Isso poderá ocorrer porque Marina tem uma trajetória semelhante a do ex-presidente.

Aliás, na última pesquisa Datafolha, realizada em junho, quando Lula não é mencionado como candidato, quem assume a liderança da sondagem é Marina. Ou seja, a ausência de Lula poderá acabar beneficiando a ex-senadora.

Mais do que levar o PT a uma derrota eleitoral já no primeiro turno da eleição presidencial, a ausência de Lula tem potencial para provocar uma forte redução da bancada federal petista, assim como da eleição de governadores, senadores e deputados estaduais nas eleições de 2018.

Por conta disso, o PT fará todos os esforços políticos e jurídicos para que Lula seja candidato a presidente em 2018. Mesmo que a rejeição do ex-presidente seja muito elevada, o que poderá dificultar uma nova vitória de Lula, seu piso de 30% dá ao PT a possibilidade de se manter como o protagonista no campo da esquerda, mesmo que saia derrotado da eleição presidencial do próximo ano.

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