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Fortalecimento do centro exige maior esforço de Bolsonaro na coalizão

As eleições municipais de 2020 foram marcadas pelo crescimento não dos aliados do presidente Jair Bolsonaro, tampouco pelo crescimento dos partidos de esquerda, que passaram a controlar um número significativamente menor de prefeituras, mas sim pela ascensão dos partidos de centro.

No “top 5” de partidos por número de prefeituras, todos são de centro, centro-esquerda ou centro-direita: MDB, PP, PSD, PSDB e DEM.

O Democratas, partido dos presidentes da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (RJ) e do Senado, Davi Alcolumbre (AP), teve o maior crescimento numérico. Vai começar 2021 controlando 70% mais prefeituras – passou de 266 para 464 prefeitos eleitos. O DEM também se destacou nas capitais, elegendo 4 prefeitos.

Em crescimento, o partido só perde na comparação percentual para o Republicanos, partido direitista, que passou de 103 para 211 prefeituras (crescimento de 104%), mas aparece apenas como 10º partido por ordem de número de prefeituras.

PP e PSD também tiveram crescimento, se colocando como o segundo e o terceiro partido em número de prefeituras. O PP passou de 495 para 685 prefeitos. O PSD foi de 537 para 654. Apesar de ter sofrido uma diminuição, o MDB manteve a liderança, com 784 municípios – antes eram 1035.

Impacto na política nacional

Para o cientista político da Arko Advice, Lucas de Aragão, esse rebalanceamento de poder deve ser um fator de atenção para Bolsonaro, principalmente em relação à disputa de 2022 – o presidente pode sair prejudicado caso não tenha sucesso em uma repactuação.

“O fortalecimento desses partidos aumenta o custo e o preço para Bolsonaro manter o Centrão ao seu lado no Congresso. Pressiona o presidente a buscar a agenda de reformas e fazer um bom mandato nos próximos 2 anos para desinchar o centro e trazer essa força política para o lado dele. Uma boa manutenção da popularidade joga o Centro no colo de Bolsonaro”, salienta. A avaliação foi feita na live semanal Política Brasileira.

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Contudo, uma construção de uma candidatura de centro que rivalize com Bolsonaro em 2022 também depende de outro fator: a organização dos próprios partidos. “Se o centro continua desorganizado, sem uma liderança, dividido dentro do Congresso, isso pode favorecer o presidente”, afirma Aragão.

Apesar de aumentar a necessidade de Bolsonaro compor com o Centrão, o resultado das eleições municipais facilita que o presidente faça tais aliança. É o que analisa Murillo de Aragão, CEO da Arko Advice.

“O fato de que o centro tenha sido fortalecido reduz o custo político de aproximação de Bolsonaro com o Centrão. Ele vinha sendo cobrado pelos apoiadores e pela imprensa, que condenavam essa aproximação. Com o resultado das eleições ele é validado”, afirma.

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