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Disputa pela presidência da Câmara divide partidos internamente

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Não é somente no PSL que a eleição de fevereiro está colocando em lados opostos o diretório nacional do partido e a bancada na Câmara. Atrito semelhante atingiu, na segunda-feira (18) o Solidariedade. Apesar da maior parte da bancada ter optado por apoiar Arthur Lira (PP-AL), a direção do partido, preocupado com falas recentes de Bolsonaro, decidiu que a sigla deveria estar ao lado de Baleia Rossi (MDB-SP) na disputa. A Executiva do partido é composta quase em sua totalidade por sindicalistas.

“O que mais pesou foi a aproximação de Lira com Bolsonaro. Além disso, também pesou esse conjunto de forças que apoiam o Baleia, da centro-esquerda e centro-direita, que pode criar um grande movimento para o futuro do Brasil”, destacou o deputado Paulo Pereira da Silva (SP), o Paulinho da Força, presidente da legenda, após reunião com Baleia. “Não queremos estar ligados ao governo”, completa.

O problema é que a maior parte dos deputados do Solidariedade chegaram a apoiar Arthur Lira publicamente e a participar do evento de lançamento da candidatura. Por isso, o grupo de Lira estranhou o anúncio. De acordo com o vice-líder do PL e candidato a 1º vice-presidente da Câmara, deputado Marcelo Ramos (AM), a decisão do diretório nacional não tem efeito real.

“O Solidariedade tem 14 deputados. O regimento interno exige maioria absoluta da bancada para aderir a um bloco. Logo, não houve mudança de posição. O Solidariedade estará conosco por vontade da maioria absoluta da bancada”, contabilizou.

Os deputados da sigla ainda deverão promover uma reunião até o final de janeiro para referendar a decisão ou voltar atrás e permanecer com Lira.

A informação vem de um parlamentar do Solidariedade ouvido pela Arko Advice. Essa fonte, por exemplo, disse que se mantém firme ao lado de Arthur Lira. “O voto é secreto e a Executiva do partido não pode obrigar seus membros em votos de cabresto”, declarou o parlamentar.

Outra fonte ouvida pela reportagem disse que boa parte da bancada não tem participação nas deliberações do diretório nacional do partido, o que explica a grande diferença entre a decisão nacional e o voto real.

Essa dicotomia deve ser vista também no resultado real nas urnas. Levantamento da Arko mostra que dos 14 deputados do Solidariedade, 10 têm forte propensão em votar em Lira. Só apoiam Baleia Rossi publicamente Paulinho da Força (SP), Lucas Vergílio (GO) e Áureo Ribeiro (RJ). Genecias Noronha (CE) ainda não se manifestou.

Outros partidos

Situação semelhante ocorreu na última semana dentro do PSL. Um grupo formado pelos 32 deputados mais alinhados com o presidente Jair Bolsonaro tentou abandonar a aliança formal com Baleia, mas o movimento foi barrado pelo diretório nacional do partido, que alegou que a maior parte desses parlamentares está suspensa, por isso não tem poder para decidir.

Também já são contabilizadas traições, principalmente no PSB e no PSDB.

Na sexta-feira (15), após reunião de Baleia Rossi com o governador de São Paulo, João Doria (PSDB) e deputados da bancada tucana na Câmara, o vice-líder da sigla, deputado Rodrigo de Castro (PSDB-MG), minimizou a informação de que uma ala do partido estaria apoiando Arthur Lira.

“Há defecção em todos os partidos, não só entre os que apoiam o Baleia. O PSDB vai entregar a Baleia Rossi a maioria absoluta dos votos do partido”, disse.

A resposta deve-se ao fato de parte da bancada tucana já vir anunciando publicamente que votará em Lira, apesar do partido ter se aliado oficialmente a Baleia. De acordo com a consulta feita aos parlamentares pelo jornal O Estado de S. Paulo, pelo menos 4 deputados tucanos devem votar em Lira: Luiz Carlos (AP), Celso Sabino (PA), Mara Rocha (AC) e Pedro Cunha Lima (PB).

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