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Economia

Inflação acima da meta incomoda BC, diz Galípolo

“Banco Central permanecer com uma taxa de juros num patamar elevado e restritivo por um período prolongado” destacou o presidente do BC

Inflação acima da meta incomoda BC, diz Galípolo

O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, afirmou que a instituição está “bastante incomodada” com o atual patamar da inflação, que permanece acima dameta de 3%, estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). A fala ocorreu em evento na Indonésia nesta quinta-feira (23), segundo informações da Reuters, repercutidas pelo G1.

Apesar do incômodo, o ele ratifica a postura hawkish da última Ata do Comitê de Política Monetária (Copom), publicada em setembro, que prevê juros elevados por “tempo prolongado”, para garantir que a inflação continue recuando. No encontro, o Comitê optou por manter a Taxa Básica de Juros (Selic) em 15%, maior nível desde 2006, conforme dados do BC.

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O que é e como funciona o Copom? Leia aqui.

“A inflação e expectativas seguem fora do que é a meta, isso é um ponto de bastante incômodo para o Banco Central, mas estamos falando de uma inflação que está num processo de redução e retorno para a meta em função de um Banco Central que vem se mostrando sempre bastante diligente e tempestivo no combate a qualquer tipo de processo inflacionário.”, afirmou Galípolo

Segundo o presidente do BC, a economia brasileira vem passando por um ciclo de crescimento contínuo, contudo, ainda assim, o nível de inflação segue fora da meta, o que pressiona a instituição. Para ele, o objetivo é garantir que a inflação volte gradualmente ao centro da meta sem prejudicar o desempenho da economia.

Lula cobra diminuição dos juros

A pauta da redução das desigualdades segue em alta no terceiro mandato do governo Lula. O atual patamar elevado da taxa de juros, no entanto, pressiona seu eleitorado, que perde o poder de crédito com o índice. Desse modo, o Presidente da república cobra o BC para que diminua a taxa.

“Eu quero que os empresários todos ganhem muito dinheiro, que as suas empresas possam crescer, produzir, gerar emprego. Quero que a indústria automobilística venda quantos carros necessitar, quero que banqueiros ganhem dinheiro — mas não precisa extorquir o povo”, afirmou o presidente na última segunda-feira (20).

Lula tece críticas à Política Monetária do BC desde o início do mandato, quando era chefiado por Roberto Campos Neto, indicado por Jair Bolsonaro. Desde janeiro deste ano, no entanto, Gabriel Galípolo assume a presidência da instituição como indicado de Lula.

Apesar do descontentamento, o Presidente da República não possui, no entanto, poder para demitir ou interferir nas decisões do BC, isso porque a instituição é autônoma desde 2021.