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Governos disputam protagonismo no RS – Análise

A tragédia climática que atinge o Rio Grande do Sul colocou o estado no centro da agenda política

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A tragédia climática que atinge o Rio Grande do Sul colocou o estado no centro da agenda política. E pelo menos dois atores ocupam um destacado espaço no que se refere ao assunto: o governador Eduardo Leite (PSDB); e o governo Lula (PT).

Rio Grande do Sul

Foto: divulgação/Forças Armadas

Antes mesmo da enchente, Eduardo Leite já havia alertado os gaúchos de que o evento climático que se anunciava seria extremo e provocaria danos extensos e de gravidade. Na semana passada, ele comunicou a revogação dos decretos que haviam cortado os benefícios fiscais de itens da cesta básica. E também anunciou, na última sexta-feira (17), novas medidas para o enfrentamento aos prejuízos causados pelas enchentes.

Entre as novidades está a criação de uma secretaria especial que comandará os esforços de reconstrução do estado. Assim, a Secretaria de Parcerias e Concessões foi transformada na Secretaria de Reconstrução Gaúcha, tendo à frente o economista Pedro Capeluppi.

Leite também confirmou que cada família inscrita no Cadastro Único e atingida pelas enchentes receberá R$ 2,5 mil. Até o momento, 7 mil famílias foram contempladas. A expectativa é de que até a próxima sexta-feira (24), 40 mil famílias tenham recebido o benefício.

O governador anunciou ainda a criação do Plano Rio Grande, que será composto de três fases: 1) Emergencial (curto prazo); 2) Reconstrução (médio prazo); e 3) Rio Grande do futuro (longo prazo). As ações serão articuladas pelo governo a partir de um comitê gestor que contará com participação ativa da sociedade gaúcha, do governo federal e dos municípios.

Leite também trabalha para minimizar as perdas econômicas por parte das empresas, a fim de preservar empregos. Dentro desse objetivo de se evitar demissão em massa de trabalhadores, o governador conversou com o presidente Lula sobre a possibilidade de recriação do Benefício Emergencial de Preservação do Emprego e da Renda (BEM), instituído por medida provisória no governo Jair Bolsonaro (PL) por conta da pandemia de covid-19.

Rio Grande do Sul

Foto: Ricardo Stuckert/PR

O governo federal, por sua vez, está marcando forte presença no Rio Grande do Sul. Lula, que já esteve três vezes no estado ao longo das últimas duas semanas, anunciou um ambicioso programa de reconstrução das cidades atingidas. Ministro-chefe da Secretaria de Comunicação, o gaúcho Paulo Pimenta (PT) foi nomeado ministro extraordinário da Reconstrução do Rio Grande do Sul.

Também foram anunciadas novas medidas, tais como: 1) o adiamento por três anos do pagamento da dívida do estado com a União; 2) o pagamento de um Auxílio Reconstrução para as famílias atingidas, no valor de R$ 5,1 mil; e 3) a entrega gratuita de uma nova residência a quem perdeu o próprio imóvel e se encaixa nas duas primeiras faixas do programa, entre outras medidas.

Embora as esferas estadual, municipal e federal estejam estabelecendo um diálogo positivo, embates políticos podem acontecer, sobretudo após a indicação de Paulo Pimenta como ministro extraordinário. Isso porque a presença no Rio Grande do Sul de Pimenta, que é cotado para concorrer a governador do estado ou senador em 2026, pode ofuscar o protagonismo de Eduardo Leite.

Vale recordar que, nas eleições de 2022, Lula teve no Rio Grande do Sul seu melhor desempenho nos estados da Região Sul. Além disso, Porto Alegre foi a única capital sulista em que Lula derrotou Bolsonaro. Ou seja, o Rio Grande do Sul é um estado estratégico para o projeto lulista. Leite, por sua vez, depende do sucesso da reconstrução do Rio Grande do Sul para sonhar com uma eventual candidatura presidencial.

Disputas políticas à parte, as autoridades têm um difícil e complexo desafio pela frente. Primeiramente, será necessário esperar a água do rio baixar. Depois que isso ocorrer, começará a limpeza das cidades. Em seguida, o foco será o restabelecimento da luz e da água para toda a população. Posteriormente, haverá a reconstrução das estradas. A expectativa é de que o Rio Grande do Sul só volte a apresentar um mínimo de normalidade após vários meses.

Rio Grande do Sul

Foto: Gilvan Rocha/Agência Brasil

Outro desafio importante a ser enfrentado pelos governos será a questão habitacional. Neste momento, o estado conta com mais de 78 mil pessoas em abrigos temporários. Na semana passada, o vice-governador, Gabriel Souza (MDB), anunciou um plano para a construção de quatro cidades temporárias na Grande Porto Alegre para abrigar essas famílias.

Embora o Rio Grande do Sul esteja no centro do noticiário e da agenda nacional, Eduardo Leite precisará desenvolver ações para se construir como líder. E terá de lidar com o protagonismo do governo federal, que está apostando suas fichas na recuperação do estado.

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