O Bradesco reduziu em 32,6% seu índice de reclamações entre o segundo e o terceiro trimestre de 2026, mas permaneceu como a instituição com a maior proporção de queixas procedentes entre os 15 maiores bancos, financeiras e instituições de pagamento do Brasil.
Segundo dados divulgados pelo Banco Central (BC) na quinta-feira (22), o conglomerado terminou setembro com índice de 57,23 reclamações procedentes estimadas por milhão de clientes, à frente do C6 Bank, com 52,31, e do Itaú, com 43,20.
A redução dos indicadores ocorreu em um período marcado por reclamações relacionadas à segurança de cartões de crédito, operações de empréstimo e crédito consignado.
Somente as duas categorias mais frequentes reuniram 7.352 registros. Embora o BC disponibilize informações sobre irregularidades por instituição, o ranking geral não identifica quais produtos ou serviços foram responsáveis pela maior parcela das queixas de cada conglomerado.
Problemas persistentes
O Bradesco terminou o terceiro trimestre com aproximadamente 110,6 milhões de clientes considerados na metodologia do Banco Central.
A quantidade estimada de reclamações procedentes foi de 6.333, superior à registrada individualmente pelos demais conglomerados que aparecem nas primeiras posições.
O indicador passou de 84,90 para 57,23, uma redução de 27,67 pontos. A queda ocorreu depois de o banco já ter ocupado a primeira posição no trimestre anterior, o que demonstra uma melhora no índice sem alteração de sua liderança negativa.
O C6 Bank apresentou redução de aproximadamente 12,5%, passando de 59,77 para 52,31.
Com uma base próxima de 36,2 milhões de clientes, a instituição registrou 1.893 reclamações procedentes estimadas.
No Itaú, o índice recuou de 46,87 para 43,20, queda de 7,8%. O conglomerado possui aproximadamente 98,4 milhões de clientes e contabilizou 4.252 reclamações consideradas procedentes na extrapolação estatística do BC.
Os resultados indicam que os três conglomerados apresentaram melhora simultânea, embora permaneçam nas mesmas posições.
O Bradesco registrou a maior redução proporcional entre as instituições do grupo, enquanto o Itaú apresentou a menor queda dos três.
Cartões de crédito
Os problemas relacionados a cartões de crédito lideraram as reclamações por assunto no terceiro trimestre.
O Banco Central contabilizou 4.159 registros na categoria que reúne irregularidades relativas à integridade, confiabilidade, segurança, sigilo ou legitimidade das operações e serviços associados ao produto.
A segunda categoria mais frequente foi a de irregularidades relacionadas a operações de crédito, excluído o consignado, com 3.193 registros.
Nesse grupo, estão problemas relacionados à execução e à regularidade de serviços vinculados a empréstimos e financiamentos.
Somadas, as duas categorias alcançaram 7.352 registros, com os cartões representando aproximadamente 56,6% desse conjunto e as demais operações de crédito, 43,4%.
Consignado
As irregularidades relacionadas ao crédito consignado aparecem na terceira posição entre os motivos mais frequentes identificados pelo Banco Central.
A modalidade permite o desconto automático das parcelas de empréstimos sobre rendimentos como salários, aposentadorias e pensões, conforme as condições legais de cada contratação.
Por envolver compromissos descontados diretamente da renda, eventuais irregularidades podem afetar consumidores que dependem de recebimentos periódicos para suas despesas.
O ranking trimestral, entretanto, não informa quantos dos casos classificados nessa categoria envolveram beneficiários do INSS, servidores públicos ou trabalhadores da iniciativa privada.
Bancos diferentes
O ranking revela diferenças relevantes entre instituições que oferecem serviços semelhantes.
Depois de Bradesco, C6 e Itaú, aparecem o conglomerado BTG Pactual/Banco Pan, com índice de 40,60, e o PicPay, com 35,51.
O Mercado Pago ocupa a sexta posição, com 30,57, seguido por Banco do Brasil, com 29,94, Santander, com 29,75, e PagSeguro, com 28,52.
Entre as instituições com indicadores mais baixos estão Inter, com 18,45, Neon Pagamentos, com 18,02, Caixa Econômica Federal, com 17,15, e Nu Pagamentos, com 10,68.
A distribuição contraria a ideia de que todos os bancos digitais apresentam comportamento semelhante nas reclamações.
Enquanto C6 e PicPay aparecem entre os cinco primeiros, Inter e Nubank registram índices consideravelmente inferiores.
O tamanho das bases de clientes também varia. O C6 possui aproximadamente 36 milhões, enquanto o PicPay supera 72 milhões e o Mercado Pago, 77 milhões.
Melhoras e pioras
Algumas instituições apresentaram crescimento do índice de reclamações mesmo permanecendo longe das primeiras posições.
O Nu Pagamentos, ligado ao Nubank, registrou aumento de aproximadamente 16,1% na comparação trimestral, chegando a 10,68.
A Cloudwalk, vinculada à InfinitePay, apresentou elevação de 40,8%, alcançando 10,12.
Os aumentos mostram uma evolução diferente daquela registrada pelos três conglomerados mais reclamados.
Entretanto, a Cloudwalk continuou com um indicador bastante inferior ao do Bradesco.
O Inter apresentou redução de aproximadamente 29,5%, enquanto a Caixa registrou queda de 26,5% e o Mercado Pago, de 25,1%.
Pequenas instituições
Entre as instituições que não integram o grupo das 15 maiores, a MW Instituição de Pagamento apresentou índice de 859.383,75 no terceiro trimestre.
O Banco Ribeirão Preto apareceu na segunda posição, com 42.801,11, seguido pela Prototype Instituição de Pagamento, com 41.103,46.
Os números são expressivamente superiores aos apresentados pelos grandes conglomerados.
Entretanto, o tamanho da base de clientes pode produzir variações muito grandes quando o indicador é calculado por milhão de usuários.
Sem indenização automática
O reconhecimento de uma reclamação como procedente pelo Banco Central não garante que o consumidor receberá indenização ou restituição de valores.
A instituição reguladora utiliza as demandas para fiscalizar o cumprimento das normas do sistema financeiro e identificar possíveis irregularidades.
Consumidores podem inicialmente procurar os canais de atendimento do banco, registrar a reclamação no SAC e recorrer à ouvidoria caso não obtenham solução.
Também é possível apresentar uma reclamação ao Banco Central, por meio dos canais oficiais disponibilizados no Meu BC.
A instituição financeira tem até dez dias úteis para responder à demanda apresentada pelo consumidor.
O BC informa que não atua como mediador de cada conflito individual. Dependendo do problema, o cliente pode procurar o Procon, a plataforma Consumidor.gov.br ou o Poder Judiciário.
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