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Justiça

Biscoito, Calcinha e Tchetcheco; saiba quem é citado na investigação da Máfia dos Combustíveis

Operação da Polícia Federal prendeu Márcio Canella, prefeito de Belford Roxo e deputado estadual eleito, e outras pessoas com apelidos curiosos

Saiba quem é Márcio Canella, candidato ao Senado pelo Rio de Janeiro
O deputado estadual eleito e prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella, é apontado pela Polícia Federal como o patrono político, articulador e financiador do grupo criminoso (Foto: Alerj)
Uma megaoperação deflagrada pelas autoridades expôs uma organização criminosa acusada de cartelizar a venda ilegal de combustíveis e lavar dezenas de milhões de reais no Rio de Janeiro.
 
A estrutura da chamada "Máfia dos Combustíveis" integrava figuras influentes da política fluminense, das cúpulas das forças de segurança pública, servidores comissionados e operadores financeiros identificados por codinomes e alcunhas peculiares. 

O deputado estadual eleito e prefeito de Belford Roxo, Márcio Correia de Oliveira (conhecido como "Márcio Canella") é apontado pela Polícia Federal (PF) como o patrono político, articulador e financiador do grupo criminoso.
 
Tido como o elo entre o poder público, a rede de combustíveis e grupos criminosos regionais, Canella teria movimentado milhões de reais e recebido repasses em espécie feitos por meio de contas de postos de combustíveis.
 
Ao lado de Canella na esfera pública, atuava Marcus Vinicius Amim Fernandes, ex-secretário de Polícia Civil do Rio de Janeiro e ex-presidente do Detran-RJ, que exercia o papel de operador institucional da rede, oferecendo blindagem policial e proteção ao grupo.
 
Pablo Jukiá Felix Ferreira, apelidado de "Pablo Russo", é apontado como o principal operador de fato de uma vasta rede com mais de 20 postos de combustíveis.
 
Tendo os negócios registrados em nome de sua esposa, Luana Oliveira, e de Luisi Correa Pinho — que atuavam como "laranjas" para ocultar patrimônio, segundo a PF —, Pablo gerias os estabelecimentos via procurações, coordenando a lavagem de capitais, fraudes de mercado e o vazamento de informações de fiscalizações.
 
Luiz Ricardo Estevam Lima, conhecido como "Tchetcheco Trindade", atuava como coordenador do Balcão do Consumidor do Procon-RJ e servidor comissionado na Secretaria de Estado de Defesa do Consumidor (Sedecon), sendo investigado por utilizar seu cargo para vazar antecipadamente relatórios e cronogramas de operações de fiscalização aos postos do grupo.
 
Nessa mesma frente atuavam Edvaldo Ferreira Borges, o "Biscoito", ex-servidor da Sedecon que servia como fonte interna de vazamentos, e Diogo Pacheco do Couto, advogado que intermediava o contato entre a organização e os agentes de órgãos fiscalizadores para repassar informações privilegiadas a Pablo Russo.
 
O escrivão da Polícia Federal Fábio Henrique Ferreira dos Santos, o "Fábio Federal", lotado na Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários (DELEFAZ), é investigado por repassar informações sigilosas a Pablo Russo por meio de mensagens de autodestruição para apagar os rastros dos vazamentos.

Gabriel da Silva Bastos, o "Calcinha", era um operador financeiro e logístico crucial na rotina da organização, encarregado de gerenciar sistemas internos de empresas do grupo (como a DAGG Tavares), monitorar pagamentos municipais e quitar despesas pessoais de Pablo Russo por meio de contas de terceiros para ocultar os beneficiários reais.
 
José Carlos Alves de Souza Júnior administrava os postos ao lado de Pablo Russo e mantinha a contabilidade paralela com os registros de repasses de propina a agentes públicos.
 
Os irmãos e policiais civis reintegrados Giovanni Gaspar Fernandes e Christiano Gaspar Fernandes, secretário de Belford Roxo, sćao apontados como sócios ocultos de postos de gasolina e figuravam nas planilhas de propina sob o codinome "Meninos".
 
O delegado da Polícia Civil Glaucio Paz da Silva, ex-Corregedor-Geral e sucessor de Marcus Amim na presidência do Detran'RJ, aparece em anotações manuscritas apreendidas pela PF como beneficiário de propina para por postos de combuistível usados no esquema.
 
Dimitri Alecrim Gomes Gaudard Tavares atuava como testa de ferro ao assumir quotas sociais de empresas usadas no esquema de lavagem de dinheiro, segundo a PF, enquanto Márcio Samary Machado, o "Márcio Nit", intermediava o pagamento de boletos de alto valor para os chefes da organização usando contas de empresas com contratos com prefeituras.
 
O Brasilianista permanece aberto para receber manifestações, posicionamentos ou esclarecimentos de todas os citados nesta reportagem. Caso queiram se pronunciar sobre o tema, os canais da redação estão à disposição.
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