O vereador Jorge Canella (União-RJ) foi preso em flagrante nesta terça-feira (22), durante a realização da sétima fase da Operação Unha e Carne, que investiga ligações de políticos com integrantes do Comando Vermelho (CV).
As investigações da Polícia Federal (PF) buscam entender como os parlamentares estão tendo acesso a armas de grosso calibre, como fuzis e submetralhadoras.
Desta vez, os agentes localizaram uma submetralhadora e dois fuzis na residência de Jorge Canella, localizada na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão no gabinete do parlamentar na Câmara Municipal do Rio.
As armas foram apreendidas e encaminhadas à Superintendência Regional da Polícia Federal no Rio de Janeiro. A instituição informou que os armamentos não possuem previsão legal e que o vereador responderá pelo crime de posse ilegal.
A defesa do político tenta, em audiência de custódia realizada nesta quarta-feira (23), obter autorização para que ele responda ao processo em liberdade. Caso seja solto, ele continuará a responder por posse ilegal de arma de fogo de uso restrito.
A relação com Márcio Canella
Como O Brasilianista havia noticiado, o ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União), havia sido preso anteriormente no âmbito da mesma investigação. A sexta fase da operação identificou um fuzil calibre 556 no veículo do político.
Apesar de compartilharem o mesmo sobrenome, Jorge e Márcio Canella não são parentes. No entanto, Márcio atuou como padrinho político de Jorge durante a campanha para as eleições municipais de 2024.
Após apresentar um pedido ao Supremo Tribunal Federal (STF) para responder ao processo em prisão domiciliar, o ex-prefeito foi solto.
O Brasilianista também explicou que Márcio Canella, que tenta uma vaga no Senado, mantinha proximidade com o candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
A relação política entre ambos se fortaleceu devido à popularidade do ex-prefeito na Baixada Fluminense, ganhando ainda mais tração quando a mãe de Flávio, Rogéria Bolsonaro, passou a integrar a chapa como sua suplente.
Início da Operação Unha e Carne
A operação da Polícia Federal busca desarticular um esquema de lavagem de dinheiro por meio de postos de combustíveis, que movimentou aproximadamente R$ 7,6 bilhões no estado do Rio de Janeiro.
A PF também apura indícios de ligação com o jogo do bicho, a venda ilegal de cigarros e o envolvimento de servidores do Poder Executivo e de políticos. A primeira fase da investigação apurava se agentes públicos repassavam dados sigilosos da Operação Zargun — voltada a combater integrantes da facção criminosa — aos investigados.
Durante as primeiras ações de busca e apreensão, a PF apreendeu cerca de R$ 90 mil em espécie. Com o aprofundamento das investigações, surgiu a suspeita de que o desembargador Macário Ramos Júdice Neto teria repassado informações sigilosas ao então presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar, que, por sua vez, teria repassado os dados a Thiego Raimundo de Oliveira Santos, ex-deputado conhecido como "TH Joias", apontado como articulador político da facção.
Desdobramentos e irregularidades
Em 2026, a PF passou a apurar a possível manipulação de contratos públicos entre a Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro e a organização criminosa. Em maio de 2026, mandados de busca e apreensão tiveram como alvo o ex-deputado estadual Thiago Rangel.
A quinta fase da operação passou a investigar pagamentos efetuados pelo bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o envolvimento de agentes públicos e o comércio clandestino de cigarros. Na ocasião, foram localizadas planilhas contendo recibos de doações eleitorais, pagamentos e movimentações financeiras ligadas à lavagem de dinheiro.
As ações de busca e apreensão da PF também alcançaram o ex-secretário e delegado Marcus Vinícius, Adilson Oliveira Coutinho Filho, o deputado estadual Rodrigo Bacellar e o pastor e empresário do setor tabagista Márcio Pôncio — este último chegou a ser preso, mas obteve autorização para cumprir prisão domiciliar.
Sobre a rede de venda ilegal de cigarros, a PF identificou que o grupo controlava a distribuição em pelo menos 45 municípios da Baixada Fluminense. Esse monopólio gerou um prejuízo estimado em R$ 2 bilhões em sonegação fiscal no estado do Rio de Janeiro.
Os investigados poderão responder pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e contratação direta ilegal.
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