O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG), candidato ao governo de Minas, costuma defender uma postura de austeridade e afirma que faz o trajeto entre Minas Gerais e Brasília de carro.
No entanto, essa pode não ser a realidade desde que assumiu o posto.
Reportagem do Metrópoles mostrou que um ex-deputado federal mineiro acusa Cleitinho de utilizar, desde o início do mandato, aeronaves do deputado Euclydes Pettersen, presidente estadual do Republicanos e um de seus principais aliados políticos, para esse trajeto.
Ainda segundo o relato, entre 2025 e 2026, o senador teria usado também um Cessna 210L, prefixo PR-SBS, pertencente ao empresário e fazendeiro Roberto Altino, de Governador Valadares. Altino seria amigo pessoal de Euclydes. O avião teria sido cedido para que Cleitinho fizesse semanalmente o trajeto Divinópolis–Brasília, saindo de uma pista em uma fazenda e pousando no aeródromo de São Sebastião, no Distrito Federal.
A denúncia ganha peso político porque Euclydes e Cleitinho têm uma relação antiga: Pettersen ajudou a levar Cleitinho para o PSC, partido pelo qual ele foi eleito senador em 2022, e hoje atua na articulação de sua candidatura ao governo de Minas pelo Republicanos.
As declarações de Cleitinho
Em agosto de 2023, durante uma sessão do Congresso, Cleitinho afirmou que realizaria a viagem de Brasília à Minas Gerais de carro, um trajeto de quase 10 horas.
Em julho de 2024, também afirmou que andava a pé em Brasília e em Divinópolis e usou isso para defender sua imagem de proximidade com a população.
Em outros discursos, o senador ficou conhecido por criticar gastos considerados luxuosos ou excessivos do poder público, incluindo carros oficiais, salas VIP e despesas com viagens.
Por outro lado, a suspeita de que ele utilizava jatos particulares nesse trajeto pode colocar o parlamentar no foco das investigações da Operação Sem Desconto.
Farra do INSS
Vale lembrar que Euclydes é investigado pela Polícia Federal no caso da Farra do INSS, o que torna a proximidade entre os dois ainda mais relevante.
Enquanto um grupo roubava valores que acumularam mais de R$ 6 bilhões em benefícios da Previdência Social, uma série de pessoas foram beneficiadas, utilizando bens de luxo e usufruindo de diversas viagens.
A PF o indiciou por organização criminosa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e peculato-desvio, sob suspeita de ter recebido R$ 14,7 milhões em propinas relacionadas à Conafer. A investigação também aponta sua atuação como articulador político da entidade e identificou movimentações envolvendo empresas, emendas parlamentares e aeronaves.
Leilão do jatinho
Outra reportagem do Metrópoles revelou que um jatinho ligado ao deputado Euclydes foi colocado em leilão por R$ 8 milhões.
A suspeita é de que a aquisição da aeronave aconteceu por meio de dinheiro relacionado ao rombo do INSS.
Não há confirmação de que Cleitinho utilizou o avião em leilão no trajeto mencionado, mas utilizou outras vezes uma segunda aeronave avaliada em US$ 22 milhões.
Contudo, o uso das aeronaves por Cleitinho é uma acusação atribuída ao ex-deputado e não está comprovado publicamente por registros de voo.
O Brasilianista procurou Cleitinho para explicações sobre o meio de transporte utilizado no trajeto ao Congresso, mas não houve retorno até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto.
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