O Brasilianista apurou os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que registra a declaração de bens dos candidatos da região Sudeste. Minas Gerais é o estado que concentra candidatos com os maiores valores declarados.
São Paulo também não fica para trás, mas chama a atenção a escolha de um bem declarado por um dos candidatos citados na matéria: uma criptomoeda que pode representar um grande valor, mas que ainda não está disponível publicamente para compra ou negociação.
No Rio de Janeiro, o destaque é o Antônio Rueda (União), líder nacional do partido, que declarou aproximadamente 35 itens ao TSE.
Esta notícia integra uma série de reportagens de O Brasilianista sobre os bens declarados pelos candidatos. A primeira notícia detalhou as declarações feitas por quem disputa as eleições na Região Norte.
A organização das planilhas é dividida pelo código do candidato e pelos respectivos valores declarados por tipo de bem.
Candidatos mineiros
Os valores dos candidatos mineiros conseguiram superar a declaração de bens dos outros estados. O maior valor declarado não é o do governador Romeu Zema (Novo), conforme O Brasilianista noticiou sobre os bens dos candidatos à Presidência, e sim do candidato ao Senado Juiz Ramon Moreira (DC) — R$ 939,6 milhões declarados.
Esse valor se concentra em duas contas bancárias: R$ 780,4 milhões vinculados ao crédito rural e R$ 145,9 milhões vinculados a contrato de crédito. O restante declarado — quase R$ 13 milhões — refere-se a terrenos rurais em Candeias, uma casa em Campo Belo e um apartamento em Lavras.
O único bem declarado pelo candidato a deputado estadual Alvamiro Alves (PDT) foi um lote na “Rua Salgueiro”, avaliado em R$ 400 milhões.
Outro candidato a deputado estadual, Vittorio Medioli (PL), declarou quotas de capital na empresa Vime Participações Ltda. (R$ 284,4 milhões) e quotas na Sempre Editora Ltda. (R$ 63,8 milhões).
O restante de seus bens é composto por fundos de investimentos e uma casa. Medioli controla diversas empresas que vão desde o ramo de transporte automotivo até a imprensa, com o jornal O Tempo.
Bonança em São Paulo
Intitulado apenas como “Fê” (Fernando Irineu de Souza), o candidato que disputa o cargo de deputado estadual pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT) declarou possuir R$ 501 milhões — valor oriundo praticamente de um único item.
Fê é proprietário de um token de criptomoeda que ainda não foi lançado, avaliado em meio bilhão. O restante do seu patrimônio, R$ 1,08 milhão, é pulverizado em microempresas: R$ 500 mil pela empresa Sportflix, R$ 100 mil da “Itaú Rússia” e outros R$ 100 mil da Fism Invest. Ele também declarou títulos e dívida de pessoa física no valor de R$ 280 mil.
O segundo candidato com o maior patrimônio declarado é o deputado federal Zé de Lima (PSD), que acumula R$ 103,93 milhões. A maior parte dos seus recursos é proveniente da empresa Imbel Participações — R$ 54,5 milhões.
Lucros creditados e não pagos somam mais de R$ 30 milhões. Os investimentos do empresário são aplicações de renda fixa, como CDB em bancos, que chegam a R$ 16,8 milhões.
Outro candidato a deputado federal, Eleuses Paiva (PSD), tem um perfil financeiro focado em investimentos em propriedade rural. Paiva declarou aproximadamente R$ 55,28 milhões.
Foram declarados ao tribunal R$ 49,8 milhões em uma propriedade rural. Ele possui também um apartamento e investimentos que totalizam R$ 5,6 milhões.
O patrimônio dos cariocas
Francisco Eugenio (Republicanos), candidato a suplente na chapa de Marcelo Crivella (Republicanos) ao Senado, é quem acumula o maior patrimônio dentre as 1.064 pessoas que pretendem disputar as eleições deste ano no Rio de Janeiro.
Eugenio declarou R$ 91,1 milhões em cinco bens declarados, a maioria de ativos financeiros. Do total, R$ 42,7 milhões são de cotas de empresas e outros R$ 47,8 milhões são aplicações em fundos de investimento.
O presidente do União Brasil, Antônio Rueda, disputará uma vaga na Câmara dos Deputados e é o segundo candidato com a mais bens declarados, com R$ 75 milhões espalhados em outros estados.
Segundo os dados do TSE, os bens de Rueda se dividem entre imóveis espalhados por Brasília, São Paulo, Recife, Rio de Janeiro, Ipojuca (PE) e Maragogi (AL), além de R$ 18,2 milhões em aplicações financeiras e previdência privada.
Rueda declarou ainda uma Mercedes-Benz AMG G63, avaliada em R$ 2,35 milhões, e um Volkswagen Passat (R$ 57 mil), além de R$ 35 mil em dinheiro vivo.
O terceiro candidato com o maior patrimônio declarado, acumulando R$ 57 milhões, é o candidato a deputado federal Clébio Lopes (União), que declarou ter, em dinheiro em espécie, cerca de R$ 11,95 milhões.
Outros bens e direitos declarados somam R$ 20 milhões. As participações societárias declaradas são fracionadas em uma mesma empresa, variando entre 100%, 90% e 50%. O candidato tem casa, sítio e terrenos com poucos detalhes na declaração.
Porsche no Espírito Santo
Rodrigo da Cozivip (MDB), cujo nome é Rodrigo Azevedo Batista, é candidato a deputado estadual e tem um patrimônio de R$ 32,6 milhões, sendo pouco mais de R$ 11 milhões em participações societárias.
Cozivip possui também R$ 4,5 milhões aplicados em renda fixa e um empréstimo de R$ 2,5 milhões. O candidato tem ainda uma Porsche avaliada em R$ 685 mil. Rodrigo, que se candidata pela segunda vez, é empresário ligado à Cozivip, voltada para o setor de gastronomia.
Outro candidato com alto patrimônio é Ricardo Ferraço (MDB), com R$ 27,6 milhões. Ferraço disputa o governo do Espírito Santo (ES) e tem uma carteira de investimentos que soma quase R$ 17 milhões, além de um apartamento de R$ 3 milhões e outras participações societárias de R$ 3,16 milhões.
O candidato a deputado estadual Du Motos (Democratas) declarou ao tribunal R$ 22,5 milhões. Desse valor, destacam-se as cotas de capital social de R$ 8 milhões da empresa SGP Consultoria e R$ 6 milhões da Du Motos.
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