A casa de apostas Pixbet virou alvo da Polícia Federal e da Receita Federal após manter um esquema em que utilizava CPFs de mortos, offshore e laranjas para enviar dinheiro para fora do país e devolvê-lo com a fachada de legalidade.
Reportagem do Uol mostrou que os investigadores encontraram registros de transações que atingiram cerca de R$ 1,5 bilhão em remessas ilegais nos últimos cinco anos.
Funcionava assim: os valores das apostas em reais eram enviados para o exterior sem autorização do Banco Central (BC) ou qualquer formalização. Em seguida, o dinheiro voltava para o país — aproveitando do câmbio — e era utilizado pelo grupo, sem que a fiscalização pudesse identificar irregularidades.
O dinheiro entrava por meio de notas fiscais falsas, que utilizavam documentos de respaldo cambial (ACAMs) com nomes de 549 de pessoas falecidas, algumas delas mortas há mais de 20 anos. Ainda, operações de compra e venda em valores idênticos ajudavam a manter a farsa. Por fim, o grupo utilizava stablecoins (USDT) para transferir valores ao exterior sem passar pelos mecanismos tradicionais de controle financeiro.
A PF cumpriu 17 mandados de busca e apreensão em cinco estados, sendo um dos alvos o dono da Pixbet, o empresário Ernildo Junior. A Justiça também determinou o sequestro de bens no valor de até R$ 1 bilhão.
O Brasilianista entrou em contato com a Pixbet, que não respondeu até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto.
Bets irregulares crescem no Brasil
Aproximadamente 77% dos usuários de bets fizeram alguma aposta irregular no Brasil durante os últimos três meses. Ainda assim, boa parte deles acredita que a conduta irregular está errada e precisa ser retirada.
Uma pesquisa mostrou que os brasileiros estão cada vez mais jogando em sites que não exigiram reconhecimento facial, possuem endereços sem o final “bet.br” ou pedem pagamentos em cartão de crédito e criptoativos para bancar a prática. Atualmente, com novas regras das bets, esses itens são considerados ilegais.
Metade dos entrevistados admitiu ter realizado duas ou mais práticas irregulares no período, enquanto no primeiro semestre de 2025 eram 62%, e nos últimos seis meses do ano passado, 55%. Além disso, o perfil dos apostadores irregulares é majoritariamente jovem (de 18 a 29 anos), mas com um equilíbrio entre mulheres (51%) e homens (49%), bem como com recorte de renda.
Outro levantamento, da consultoria Regulus Partners, mostrou que o Brasil passou a ocupar a quinta posição entre os maiores mercados de apostas online do mundo após a regulamentação do setor. Com a popularização das bets, elas já impactam diretamente o nível de endividamento no país, ampliando preocupações nos campos econômico e social.
Pixbet não é a enfrentar irregularidades
O Brasilianista mostrou que outras casas de apostas estão lidando com problemas na distribuição da propaganda. Imagens de mulheres com teor sexual geradas por inteligência artificial (IA) vem sendo uma estratégia comum de algumas contas do Facebook para atrair milhões de seguidores. Para além do engajamento na rede social, esses perfis direcionam os visitantes para links externos como a Shopee e sites de apostas, que lucram com os gastos desses usuários.
Ao menos 13 perfis na rede social da Meta têm esse objetivo. Essa prática pode ferir diretamente as regras de comunidade da gigante da tecnologia, dos sites externos e também a legislação de publicidade brasileira e o Código de Defesa do Consumidor (CDC).
As contas postam no feed do Facebook fotos ou vídeos gerados por IA de mulheres — com padrão específico ou não — com seios e glúteos grandes em roupas justas e decotadas. Entretanto, não há publicação de imagens de nudez ou conteúdo explícito, que seriam mais facilmente identificadas pela Meta.
Em geral, os perfis analisados publicam conteúdos nos stories em que há um link redirecionando o usuário para outros sites. Ao clicar, muitos são levados à Shoppe, por exemplo, e os donos da conta ganham comissões sobre tudo o que o consumidor decidir comprar. Esse sistema é conhecido como programa de afiliados.
Outras contas redirecionam os usuários para sites de apostas, que ganham dinheiro diretamente com o cadastro de novas contas. Plataformas como Betano, Blaze, Brazino777, KTO e Rivalo estão entre os destinos mais comuns das contas do Facebook.

