Aproximadamente 77% dos usuários de bets fizeram alguma aposta irregular no Brasil durante os últimos três meses. Ainda assim, boa parte deles acredita que a conduta irregular está errada e precisa ser retirada.
É o que indica um estudo do instituto Locomotiva, divulgado pelo portal O Globo. A pesquisa realizou 2.291 entrevistas no Brasil em maio deste ano e possui margem de erro de 2,1 pontos percentuais para mais ou para menos.
Os entrevistados responderam se haviam jogado em sites que não exigiram reconhecimento facial nos últimos três meses, além do uso de portais sem o final “bet.br” ou cartão de crédito e criptoativos para bancar a prática. Atualmente, com novas regras das bets, esses quatro itens são considerados ilegais.
Metade dos entrevistados admitiu ter realizado duas ou mais práticas irregulares no período, enquanto no primeiro semestre de 2025 eram 62%, e nos últimos seis meses do ano passado, 55%. Além disso, o perfil dos apostadores irregulares é majoritariamente jovem (de 18 a 29 anos), mas com um equilíbrio entre mulheres (51%) e homens (49%), bem como com recorte de renda.
Pouco mais da metade (51%) dos entrevistados classificados como apostadores irregulares recebem até dois salários-mínimos, enquanto 49% desse grupo está na faixa entre dois e seis.
Ainda assim, 51% dos usuários irregulares admitem que plataformas sem regulamentação são as únicas utilizadas. Outros 36% afirmam que esses sites são utilizados para a maior parte dos jogos.
Cerca de seis em cada dez usuários acreditam que o governo federal ainda poderia fazer mais contra sites e aplicativos de apostas ilegais. Já 37% veem o Executivo realizando tudo o que pode no campo. Até julho, mais de 54 mil sites irregulares haviam sido derrubados pelo Executivo.
Brasil é um dos maiores mercados de aposta do mundo
Levantamento da consultoria Regulus Partners mostrou que o Brasil passou a ocupar a quinta posição entre os maiores mercados de apostas online do mundo após a regulamentação do setor.
Com a popularização das bets, elas já impactam diretamente o nível de endividamento no país, ampliando preocupações nos campos econômico e social.
Conforme noticiado por O Brasilianista, a maioria dos brasileiros atribui a responsabilidade pelo crescimento das apostas esportivas online tanto ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quanto ao do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Ainda assim, o marco zero da legalização das bets aconteceu em maio de 2016, a partir de uma conversa entre parlamentares e bicheiros.
Apostas online operaram sem fiscalização desde 2018
Apesar de não liberar as casas de apostas, jogo do bicho ou cassinos, as empresas de apostas online foram legalizadas por norma aprovada em 2018, no governo de Michel Temer (MDB), a Lei nº 13.756/2018. O projeto é derivado de uma Medida Provisória apresentada no mesmo ano, determinando que a nova legislação deveria ser regulamentada, por meio de outra lei, em até quatro anos — ou seja, até 2022.
Vale lembrar que as bets operaram sem fiscalização e sem pagar impostos enquanto não fosse aprovada a regulamentação. O governo de Jair Bolsonaro (PL) deixou um decreto de regulamentação pronto em 2022, mas não o publicou até a data limite, em 12 de dezembro de 2022.
Por fim, a regulamentação oficial da medida aconteceu em 2023, após o envio de uma nova MP do governo Lula, aprovada pelo Congresso Nacional, a qual virou a lei nº 14.790/2023, também conhecida como Lei das Bets.
Governo endurece regras para publicidade das plataformas
Como mostrou O Brasilianista, o governo federal decidiu ampliar as restrições para a publicidade das plataformas de apostas por meio de novas portarias editadas pelo Ministério da Fazenda.
As medidas determinam que todas as propagandas passem a exibir advertências obrigatórias como “apostar faz você perder dinheiro”, “apostar pode causar dependência” e “aposta não é investimento”. As normas também proíbem campanhas que apresentem as apostas como alternativa de renda, promessa de enriquecimento ou solução para dificuldades financeiras.
Além disso, comentaristas esportivos e especialistas ficam impedidos de utilizar a autoridade profissional para incentivar apostas durante transmissões esportivas.
Empresas poderão sofrer multas, suspensão das atividades e até perder a autorização para operar caso descumpram as novas regras.

