Publicidade
Geopolítica

Comércio exterior: As saídas do Brasil para driblar os recentes embargos

EUA e UE já aplicaram tarifas e bloqueios para o agro brasileiro, mas ainda há alternativas

Comércio exterior: As saídas do Brasil para driblar os recentes embargos

O agronegócio brasileiro pode se considerar em apuros, em certa medida. Isso porque desde a entrada do tarifaço dos Estados Unidos sobre uma ampla lista de produtos brasileiros e a proibição de exportação de carnes à União Europeia prejudicaram boa parte do mercado externo brasileiro.

A sobretaxa americana pode chegar a 37,5% em alguns produtos e o impacto deve ser relevante para segmentos específicos do agro ( uva, arroz, ovos, madeira e açúcar), com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) estimando cerca de US$ 4,6 bilhões em exportações sob pressão — carne bovina, café e suco de laranja ficaram isentos, reduzindo o risco de perdas mais severas.

Publicidade

Por sua vez, o embargo da União Europeia às importações de produtos de origem animal do Brasil está previsto para 3 de setembro. A decisão atinge principalmente carne bovina, frango e mel, após o bloco europeu retirar o país da lista de nações consideradas compatíveis com suas regras sobre o controle do uso de antimicrobianos na pecuária.

Embora as autoridades europeias não tenham apontado problemas na qualidade da carne brasileira, entendem que o sistema de fiscalização nacional ainda não atende às exigências de rastreabilidade e monitoramento adotadas pelo bloco.

O Brasilianista já havia indicado que o maior prejuízo tende a aparecer na receita obtida com as exportações, e não necessariamente na quantidade de produtos embarcados.

Parceiros comerciais que o Brasil pode se apoiar

Beny Fard, sócio da Segundo Minuto e analista geopolítico e econômico explica que, como alternativa, produtores e governo estão ampliando vendas para União Europeia — sem produtos de origem animal —, Argentina, Ásia e Oriente Médio, com a China já consolidada como maior comprador isolado do agro brasileiro.

Além disso, a ApexBrasil prepara um plano de contingência de aproximadamente R$ 130 milhões em ações de diversificação comercial, mirando especialmente Ásia Central, Oriente Médio e UE.

“No caso da uva do Vale do São Francisco, um dos setores mais atingidos, as vendas migraram para Europa e Argentina, com especialistas recomendando também Canadá, mercados sul-americanos e apostas premium em Ásia e Oriente Médio. O açúcar, por sua vez, já tem perfil fortemente voltado a mercados asiáticos, africanos e do Oriente Médio, o que facilita absorver o volume que deixaria de ir aos EUA”, comenta em relação ao tarifaço.

Já Carlos Eduardo Freitas Viana, economista e delegado do Corecon-SP, afirma que o embargo dos Estados Unidos não vai ter tanto impacto no agro, porque os produtos brasileiros mais importantes, como café e algumas frutas, que os EUA não produzem, foram isentos das tarifas que estão sendo impostas nesse momento.

“Então, hoje, se a gente olhar o agro no todo, o cenário não mudou muito. Quando a gente olha um pouco mais especificamente, acho que o setor que mais vai sofrer na atuação do agro é o setor de carboidratos. Isso tem um lado talvez positivo: com a dificuldade de exportação, pode ser que esse produto seja voltado ao mercado interno. A gente pode ter aí uma redução dos preços de alguns produtos para o consumidor nacional. Mas isso aí a gente vai esperar e pensar nas próximas semanas”, avalia Viana.

O acordo Mercosul-UE

O analista geopolítico ainda revela que o veto da UE é mais específico do que um veto geral e refere-se principalmente à carne bovina.

No entanto, o decreto ocorreu pouco depois de o Acordo Mercosul-UE entrar em vigor provisoriamente (1º de maio), em meio à pressão de produtores rurais europeus contra produtos mais competitivos do Mercosul, funcionando como forma de proteção econômica sem romper formalmente o acordo.

“O acordo mais amplo segue como principal saída estrutural, considerando que a UE já era o segundo maior destino do agro brasileiro em 2025, com US$ 25,2 bilhões, e prevê eliminação de tarifas para 93% da pauta europeia”, reforça Fard.

Especialistas recomendam diversificação

“Nós precisamos começar a fazer uma avaliação de riscos e fazer um planejamento de diversificação de mercados importante para evitar esse risco que a gente tem por conta de sermos grandes parceiros em alguns casos”, avalia o economista.

As exportações da soja, por exemplo, são muito dependentes da China. Nas carnes, por outro lado, seria interessante ter um nível de concentração.

“Então, o Brasil precisa diversificar um pouco os seus destinos de exportação para reduzir um pouco o risco nessas ações unilaterais que estão ficando cada vez mais comuns nos últimos tempos”, reitera.

Viana explica que isso seria necessário pois há uma grande quantidade de embargos atingindo o Brasil e buscar uma diversificação de destinos pode reduzir os riscos no setor agro.

Acompanhe as redes sociais de O Brasilianista