Não se sabe se foi o dia nublado em Brasília, o recesso no Congresso, o aparato de segurança, ou se simplesmente a bandeira contra o 8 de Janeiro começa a perder força política. O fato é que o ato promovido pelo governo federal nesta quinta-feira (8), para marcar os três anos dos atos de 2023, ocorreu em clima de esvaziamento visível no Palácio do Planalto.
A cerimônia, organizada pelo presidente Lula (PT), teve baixa adesão para além do campo da esquerda tradicional. Em outros eventos realizados no Salão Nobre do Planalto, havia mais gente.
Após o encerramento, Lula desceu a rampa para cumprimentar apoiadores. Não houve muitos gritos ou barulho de multidão. O silêncio falou mais alto. Poucas pessoas, pouco entusiasmo, um cenário distante das imagens de mobilização que o tema já foi capaz de produzir.
Também chamaram atenção as ausências institucionais. Não compareceram os presidentes da Câmara e do Senado, Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União-AP). Um detalhe político relevante justamente no dia em que Lula vetou integralmente o projeto conhecido como PL da Dosimetria, que previa a redução de penas para condenados pelos atos.
O veto recoloca o tema no centro do embate entre Executivo e Congresso, ainda que, no discurso, Lula tenha feito questão de afirmar que não há atritos entre os Poderes. Na prática, porém, o ambiente sugere outra coisa: menos mobilização nas ruas, menos presença institucional e um desgaste natural.

