O ex-presidente Michel Temer (MDB) pode ser contratado para tentar resolver o negócio entre Banco Master e Banco de Brasília (BRB), indeferido pelo Banco Central (BC) no início do mês. As informações são da Folha de S. Paulo.
No entanto, não há certeza de que Temer aceitaria a empreitada, dada a questão ser de natureza técnica e não jurídica, muito menos política. De acordo com fontes ouvidas pelo periódico, os controladores dos bancos procuraram Temer há cerca de dez dias para atuar em articulações políticas e jurídicas envolvendo uma possível transação.
O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), dirigentes do BRB, e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, participam das discussões.
Na avaliação do cientista político Murillo de Aragão, a diretoria do BC não se sentiria confortável com uma eventual pressão política para a decisão técnica e contábil da aquisição do banco privado pela estatal de Brasília.
Como mostrado nesta matéria do O Brasilianista, Ricardo Cappelli, presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), acredita que a liquidação do Master pelo Banco Central é o único caminho a seguir, podendo revelar uma rede de relacionamentos obscuros entre o Master e seus “parceiros”.
A intervenção e a liquidação extrajudicial são mecanismos usados pelo BC para enfrentar situações críticas em instituições financeiras.
Qualquer um desses caminhos levantaria questionamentos políticos e jurídicos. Uma intervenção, por exemplo, poderia reforçar dúvidas sobre por que o BC não agiu antes, permitindo que o banco operasse em condições precárias por tanto tempo. Já a liquidação abriria debate semelhante e poderia gerar forte repercussão no sistema financeiro.
Ainda que não seja possível indicar se Temer deve aceitar a proposta de resolver a questão, a Folha relembra que o ex-presidente e advogado possui relação direta com Ibaneis, que é seu correligionário. As eleições de 2026 devem trazer esse tema à tona novamente.

