Ainda não se sabe o que vai acontecer com o Banco Master, mas há algumas possibilidades em vista após a rejeição do Banco Central (BC) em relação à compra do Master pelo Banco de Brasília (BRB).
Em análise desde março, essa era a última etapa regulatória para seguir com a aquisição. A decisão foi anunciada na última quarta-feira (3). Essa era uma operação com forte respaldo político, mobilizando líderes do Centrão e despertando grande interesse do governo do Distrito Federal.
Caso fosse aprovada, o BRB — uma estatal — conquistaria espaço relevante na Faria Lima, fortalecendo seu banco digital e ampliando sua presença no mercado. Além disso, sem a aprovação, o Master coloca em risco boa parte da segurança dos investidores que possuem ativos da instituição.
O BRB buscava aprovação da compra de 49% das ações ordinárias e 100% das preferenciais do Banco Master, pelo valor de R$ 2 milhões. Caso aprovada, a medida ofereceria grande controle da instituição privada.
Fontes próximas às negociações indicaram que, tanto a burocracia do BC quanto a do BRB nunca estiveram confortáveis com a operação. Em diferentes momentos, técnicos, as duas instituições atuaram para frear o avanço do projeto, seja com vazamentos de informações, seja com posicionamentos contrários dentro dos órgãos responsáveis pela análise.
Ainda não há informações sobre o que Daniel Vorcaro, dono da rede, fará. Se ele irá tentar vender o banco, ou se o Banco Central irá intervir na operação de alguma forma. Na última terça-feira (9), Vorcaro conversou com o presidente do BC, Gabriel Galípolo, mas não deram entrevista à imprensa, segundo a Folha de S. Paulo.
O que pode acontecer com o Banco Master?
Segundo o Estadão, após o indeferimento do acordo de compra pelo BRB, sobram quatro saídas: intervenção, liquidação, oferta de compra dos ativos por um terceiro ou uma nova configuração da operação pelo BRB.
O fator principal da decisão é o voto do diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do BC, Renato Gomes, que é crítico da transação desde o início das análises.
Conforme visto nesta matéria do O Brasilianista, a intervenção e a liquidação extrajudicial são mecanismos usados pelo Banco Central para enfrentar situações críticas em instituições financeiras.
No caso da intervenção, o banco tem suas atividades suspensas e é excluído do Sistema Financeiro Nacional (SFN). Já a liquidação extrajudicial ocorre quando ainda há chances de recuperação da instituição.
Fato é que qualquer caminho levantaria questionamentos políticos e jurídicos. Uma intervenção, por exemplo, poderia reforçar dúvidas sobre por que o BC não agiu antes, permitindo que o banco operasse em condições precárias por tanto tempo. Já a liquidação abriria debate semelhante e poderia gerar forte repercussão no sistema financeiro.
Calote aos investidores
Além de não haver perspectiva do futuro da rede, um outro problema envolve os investidores do banco: a falta de pagamento dos ativos comprados.
O Master tem uma política avaliada como agressiva pelo mercado para captar recursos. O banco de investimentos chega a oferecer rendimentos de até 140% do Certificado de Depósito Interbancário (CDI) para quem comprar suas ações — em comparação, bancos de mesmo porte oferecem retornos de no máximo 120% do CDI.
O caso resultou em mudanças nas regras do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), mecanismo que assegura depósitos e investimentos em títulos de instituições financeiras brasileiras, como os Certificados de Depósitos Bancários (CDBs), com cobertura de até R$ 250 mil por CPF em situações de falência ou insolvência bancária.
Um problema desse porte envolvendo o Master poderia ter colocado em risco a estabilidade do FGC, já que os ativos do banco chegaram a representar 40% de toda a liquidez do fundo, formado por contribuições mensais das próprias instituições financeiras.
Segundo o InvesTalk, nas regras atuais, os bancos podem captar até 75% dos seus recursos com a garantia do FGC. Caso supere, a instituição financeira precisa fazer uma contribuição adicional com o fundo. A nova determinação diminui esse limite para 60%. Veja o que os especialistas recomendam fazer com os investimentos do Banco Master.
A única certeza, por ora, é que a novela sobre o futuro do Banco Master deverá se arrastar por mais algum tempo.

