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Economia

O Banco Master vai fechar? Saiba o destino da rede

O futuro da rede que atua no Brasil desde 1970 diverge opiniões de especialistas

O Banco Master vai fechar? Saiba o destino da rede

Desde a última quarta-feira (03), o futuro do Banco Master é incerto, isto porque o Banco Central (BC) indeferiu o acordo de compra de parte do Master pelo Banco de Brasília. Ainda não há informações sobre o que Daniel Vorcaro, dono da rede, fará. Se ele irá tentar vender o banco, ou se o Banco Central irá intervir na operação de alguma forma. 

Segundo o Valor Investe, os especialistas divergem quanto à melhor forma de agir neste momento. Enquanto há quem acredite que se desfazer do título, mesmo com prejuízo, pode ser a melhor saída para evitar perdas maiores, há quem aposte em esperar para ver e contar com a ajuda do Fundo Garantidor de Créditos (o famoso FGC).

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O que dizem os especialistas? 

Para o professor do Centro de Estudos em Finanças da Fundação Getúlio Vargas (FGV-Cef), William Eid, a melhor opção e até mesmo a atitude mais segura para quem tem esses ativos é se desfazer deles, mesmo que leve a uma perda. Isso porque, o valor de venda, caso consiga vendê-lo, não será o mesmo de quando comprado. 

Em entrevista para o Valor Investe, o professor explica que não se sabe qual o futuro do Banco Master. “Vamos supor que ele quebre amanhã. O FGC dirá ‘ok, vamos conversar para pagar os investidores’. Mas, nesse meio tempo, outras pessoas que têm títulos de outros bancos médios podem se preocupar com essa história e resgatar os seus também. Então, ao invés de ter que lidar com o prejuízo dos investidores do Master, o FGC pode ter que lidar com o prejuízo de outros bancos e não ter condições de cobrir. E hoje não há ambiente para o governo entrar em jogo bancar financeiramente esse tipo de problema”, explica.

Já o economista-chefe da Way Investimentos e coordenador do núcleo de economia da ESPM, Alexandre Espírito Santo, diz que por conta das incertezas, o melhor a se fazer no momento é esperar. Mesmo assim, ele avalia que os investidores com títulos garantidos pelo FGC têm segurança, embora ressalte que o cenário ainda exige cautela.

Segundo entrevista para o Valor Investe, o especialista garante que para o cenário atual, é melhor esperar alguma manifestação do Banco Central. “O problema maior aqui é que, nesse caso, a incerteza está associada a um baita risco. Estamos diante de uma situação que não temos controle, então neste momento não dá para fazer nada. Seria entrar em um tiroteio sem nenhum tipo de proteção”, afirma.

Fundo Garantidor de Créditos (FGC)

O caso Banco Master resultou em mudanças nas regras do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), mecanismo que assegura depósitos e investimentos em títulos de instituições financeiras brasileiras, como os CDBs, com cobertura de até R$ 250 mil por CPF em situações de falência ou insolvência bancária.

Um problema desse porte envolvendo o Master poderia ter colocado em risco a estabilidade do FGC, já que os ativos do banco chegaram a representar 40% de toda a liquidez do fundo, formado por contribuições mensais das próprias instituições financeiras. Segundo o InvesTalk, nas regras atuais, os bancos podem captar até 75% dos seus recursos com a garantia do FGC. Caso supere, a instituição financeira precisa fazer uma contribuição adicional com o fundo. A nova determinação diminui esse limite para 60%.

O que vai acontecer?

Conforme informações da Broadcast, do InvesTalk, após o indeferimento do acordo de compra pelo Banco de Brasília, sobram quatro saídas: intervenção, liquidação, oferta de compra dos ativos por um terceiro ou uma nova configuração da operação pelo BRB.   

A intervenção e a liquidação extrajudicial são mecanismos usados pelo Banco Central para enfrentar situações críticas em instituições financeiras. No caso da intervenção, o banco tem suas atividades suspensas e é excluído do Sistema Financeiro Nacional (SFN). Já a liquidação extrajudicial ocorre quando ainda há chances de recuperação da instituição.

Qual é a saída?

Fontes avaliam que a saída mais viável seria uma liquidação organizada, com apoio do FGC, que dispõe de cerca de R$ 114 bilhões. Com a rejeição da operação com o BRB, a responsabilidade recai integralmente sobre o Master, que ainda pode buscar a venda de ativos a um novo interessado.

Outra ideia seria o BRB reformular sua proposta, seja pedindo reconsideração ao BC ou apresentando um novo plano que atenda às exigências da autoridade monetária. Ainda assim, fontes avaliam que essa possibilidade é pouco provável após a negativa já ter sido formalizada.