Brasília acordou de ressaca nesta quinta-feira (4) após o Banco Central (BC) rejeitar a compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). Em análise desde março, essa era a última etapa regulatória para seguir com a aquisição.
A decisão foi anunciada na noite da quarta-feira (3). Essa era uma operação com forte respaldo político, mobilizando líderes do Centrão e despertando grande interesse do governo do Distrito Federal.
Caso fosse aprovada, o BRB conquistaria espaço relevante na Faria Lima, fortalecendo seu banco digital e ampliando sua presença no mercado.
A compra do Banco Master
O BRB buscava aprovação da compra de 49% das ações ordinárias e 100% das preferenciais do Banco Master, pelo valor de R$ 2 milhões. Caso aprovada, a medida ofereceria grande controle da instituição privada.
Em comunicado, o Banco de Brasília afirmou que solicitou a íntegra da decisão de indeferimento para avaliar as alternativas cabíveis.
“O BRB reitera seu posicionamento de que a transação representa uma oportunidade estratégica com potencial de geração de valor para o BRB, seus clientes, o Distrito Federal e o Sistema Financeiro Nacional e manterá seus acionistas e o mercado informados sobre eventuais desdobramentos relevantes, nos termos da legislação e da regulamentação aplicáveis”, completou.
Segundo o mestre em Ciência Política e advogado, Murillo de Aragão, a transação carregava dúvidas importantes para o BC, como a solidez do Banco Master e a qualidade dos créditos que compunham seus ativos.
O negócio foi considerado polêmico desde sua proposição visto que o Master tem uma política avaliada como agressiva pelo mercado para captar recursos. O banco de investimentos chega a oferecer rendimentos de até 140% do Certificado de Depósito Bancário (CDI) para quem comprar suas ações — em comparação, bancos de mesmo porte oferecem retornos de no máximo 120% do CDI.
Desde o anúncio do negócio, há seis meses, as ações do BRB valorizaram cerca de 23% na Bolsa de Valores (B3), de acordo com informações da Agência Brasil.
Ações em queda e BC na mira de Brasília
Entre a decisão e sua divulgação, a política reagiu. De acordo com Aragão, parlamentares aceleraram a tramitação de um projeto que enfraquece a autonomia do BC e facilita a demissão de seus diretores. Um número expressivo de deputados já assinou o pedido de urgência.
Resta saber se a matéria terá andamento, mas o cenário mais provável é que não avance. “A percepção é de que, caso a proposta prospere, a política econômica correria o risco de ficar subordinada a uma maioria parlamentar que não apoia integralmente o Planalto”, afirma.
Na B3, as ações ordinárias do BRB chegaram a cair 10% na manhã de hoje e, pela tarde, recuavam cerca de 6,8%, cotadas a pouco mais de R$ 10.

